JACAREACANGA/SAI CINZA (PA), 17.04.2023 - Uma vasta programação desportiva-cultural, permeada por entretenimentos peculiares do cotidiano de brincadeiras e comemorações dos indígenas Munduruku, com o tema CULTURA INDÍGENA: EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E IDENTIDADE, está sendo realizada no periodo de 14 a 19 de abril do corrente ano, com o propósito de unir em um clima fraternal e competitivo o alunado da Escola Municipal Indígena Sawre Muywatpu, inserida na programação atividades exclusivamente extraída dos saberes da rica cultura indigena Munduruku, que abrigará no decurso das atividades a participação envolvendo toda a comunidade, sob a coordenação do corpo de professores, funcionários do Educandário de Ensino localizado no grande aglomerado humano que compõe a Adeia Sai Cinza.
A informação foi repassada pelo Professor Zenildo Saw Munduruku, um dos componentes que organizam o evento, que diz:
Nossa Escola, através do corpo de Educadores, tem por princípio constitucional desenvolver a aplicação da Educação Escolar orientada pela Secretaria de Educação do Municipio, no entanto não se esquecendo e inserindo nessa atividade a valorização da cultura indigena Munduruku que deve ser estendida aos nossos descendentes para a preservação de nossos usos e costumes visando sempre a preservação de nossa cultura.
As atividades desenvolvidas nas competições são originárias da cultura indígena, e distribuem-se deste a canoagem, passando pela precisão do uso de arco e flexa, corrida com toras, com cestos, e saltos sobre obstáculos.
Como supradito, as atividades buscam a difusão de informações reais sobre o modo de vida, a maneira de ensinar a língua e os saberes nas escolas indígenas, através dos professoresde Munduruku.
As atividades comemorativas à Semana dos Povos Indigenas se encerram na próxima 4ª Feira dia 19 que marca o Dia Nacional dos Povos Indigenas.
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Saiba mais um pouco sobre os Munduruku
História
Segundo seu mito de origem, os mundurucus foram criados por Karosakaybo na aldeia Wakopadi, próximo às cabeceiras do rio Krepori. Na segunda metade do século XVIII, começaram os primeiros contatos registrados com os não índios. Nessa época, os mundurucurus dominavam o vale do rio Tapajós, região que era conhecida como Mundurucânia. na mesma época os mundurucus iniciaram uma perseguição sistemática aos índios mura, que habitavam o baixo Rio Madeira, levando estes a buscarem abrigo junto aos portugueses. Tornaram-se conhecidos pelos colonizadores como caçadores de cabeças, aterrorizando as primeiras vilas portuguesas na área, o que levou os administradores locais a solicitar à Coroa armas e proteção militar. Foram cogitadas expedições punitivas, mas sua terra de origem, o Alto Tapajós, ainda era pouco acessível e uma intervenção direta se revelou inviável. Por isso os portugueses preferiram a estratégia de formar alianças.[5]
Foi estabelecido um acordo de paz, e então os mundurucus se tornaram importantes aliados dos portugueses em suas lutas contra outros povos indígenas, além de os auxiliarem de outras formas, fornecendo alimentos e extraindo borracha. Em função desta condição de aliados, os mundurucus puderam preservar uma notável autonomia durante o período colonial.[5]
Seu povo foi impactado pela revolta da Cabanagem (1835-1840), quando índios foram perseguidos e mortos e muitos buscaram refúgio em lugares afastados. Nesta época o Estado mudava seu tratamento dos mundurucus, passando a vê-los como inimigos ou indesejados e procurando desalojá-los de suas terras. A partir de então a perseguição, o desrespeito e a violência marcariam suas relações com os brasileiros.[5]
A partir de meados do século XIX, o advento do ciclo da borracha marcou o aumento da presença de não índios em território tradicional mundurucu. Isso, junto com o estabelecimento de uma missão franciscana em suas terras em 1872 e a ocorrência de epidemias de sarampo, exerceriam um profundo impacto em seu modo de vida, fazendo com que a maioria da população deixasse suas aldeias tradicionais nas áreas de campo para se fixar às margens de alguns rios, especialmente o Cururu, onde suas tradições e costumes passaram por uma transformação. Na década de 1940 esse processo foi acelerado com a chegada do Serviço de Proteção aos Índios, que criou em 1940 o Posto de Atração Kayabi, no Rio São Manoel, e em 1942 o Posto de Atração Munduruku, no rio Cururu.[3][5]
Terras indígenas
Ainda década de 1940 iniciou um movimento para demarcação das terras mundurucu, que só chegou a bom termo com sua homologação em 2004,[6] mas apesar da demarcação, o território foi reconhecido pelo Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação apenas em abril de 2016, e ainda não estava devidamente demarcado. Assim, os mundurucu decidiram iniciar por conta própria a demarcação efetiva. Encontraram madeireiras em operação ilegal e iniciaram conflitos e ameaças às lideranças indígenas.[7]
A posse ainda é disputada e as terras são frequentemente invadidas e exploradas ilegalmente. Entre 2017 e 2018 o desmatamento ilegal nas suas terras aumentou seis vezes. Nos anos recentes o garimpo é o principal responsável pela destruição, além de contaminar os rios com substâncias tóxicas. Para Danicley Aguiar, do Greenpeace, "os Munduruku sobreviveram a 519 anos de guerras e massacres, mas agora temem pelo futuro, porque a ameaça de hoje não se limita a destruir florestas e rios. Ela desestrutura também a organização social e política desse povo".[8]
Por outro lado, segundo Scopel, Dias-Scope & Langdon, "a demarcação da terra indígena dinamizou a memória coletiva e impulsionou os diversos segmentos da sociedade Munduruku à ação, à participação e à colaboração, reforçando coesivamente sua própria coletividade. [...] A reconquista do território, segundo os próprios Munduruku da TI Kwatá Laranjal, é vista como um passo importante para a garantia de sua reprodução biossocial. Nesse processo, os indígenas estabeleceram e adquiriram habilidade em diversas práticas de organização social, que permitiram efetivar tal reprodução, a exemplo da organização de conselhos de líderes e de reuniões, da participação dos jovens etc. Conclui-se que o envolvimento coletivo em atividades políticas se constituiu como uma estratégia coletiva de sobrevivência".
Fonte de informação: Wikipedia




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