Empresas clandestinas fazem táxi aéreo pela metade do preço e preocupam Aeronáutica por falta de segurança.
“A cada dia estamos
encontrando mais aeronaves sem documentação e com piloto não habilitado.
Voar nessas condições é perigoso”.
No Pará, nos últimos 3 anos, já são 21 acidentes com pequenos aviões. O mais recente foi na última terça-feira, 3.
iG Ultimo Segundo - À medida que o táxi aéreo ganha espaço na aviação e
nas grandes capitais, a Aeronáutica e Agência Nacional de Aviação Civil
(Anac) são desafiadas a manter a modalidade longe das práticas ilegais.
Com presença massiva em cidades do interior, o “táxi aéreo pirata”
chegou às capitais para driblar a burocracia e lentidão da agência
reguladora. Aeronaves sem documentação e pilotos com habilitação vencida
são fatores que têm engordado o índice de acidentes.
No ano de 2012, segundo levantamento do Centro de Investigação e
Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Aeronáutica, em
ao menos 34% das ocorrências foram encontradas violações ao Código
Brasileiro de Aeronáutica (CBA). E o número pode aumentar. O major
Wellington da Silva, do Cenipa, explicou que tem sido comum chegar ao
local de um acidente e encontrar sinais claros de voos piratas, chamados
de “violações” pelo departamento. “A cada dia estamos encontrando mais
aeronaves sem documentação e com piloto não habilitado. Voar nessas
condições é perigoso”.
Longe dos olhos dos fiscais da Anac, que segundo empresários do setor de
táxi aéreo enfrenta “problemas de pessoal”, companhias colocam em risco
o transporte de civis usando combustível automotivo e realizando
manutenção de aeronaves fora das recomendações dos fabricantes.
Já em São Paulo, empresas realizam voo pirata quando cobram – por
quilômetro ou hora de voo – por meio do fretamento de uma aeronave
registrada como TPP (Privada – Serviços Aéreos Privados). Para o
transporte de passageiros, a aeronave deve ser registrada como TPX (Táxi
Aéreo) e seguir uma série de normas e regulamentações da agência
reguladora.
“É imensurável a economia que os Tacas podem alcançar, o mínimo se
comparado a uma empresa/aeronave homologada é de 50%. O risco de
acidentes é proporcional à economia ou talvez maior”, explicou ao iG
Luiz Carlos Lopes, um dos diretores da associação.
Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo (Sneta), o táxi
aéreo nacional tem uma frota com mais de 1.500 aeronaves (entre jatos,
bimotores e helicópteros). Acredita-se que um terço dessa frota seja
usada de forma clandestina. Os riscos aumentam na proporção do lucro
financeiro dos clandestinos, que travaram uma batalha com as empresas de
táxi aéreo na capital paulista, que já é dona da maior frota de
helicópteros e tem o maior número de operações (pouso e decolagem) do
mundo. No setor, a prática ganhou o apelido Taca (táxi aéreo
clandestino) e tornou-se uma “concorrência desleal”, segundo a
Associação Brasileira de Táxi Aéreo (Abtaer). O problema foi reforçado
aos representantes da Anac e da Aeronáutica durante o V Encontro
Nacional das Empresas de Táxi Aéreo, realizado na última semana em São
Paulo.
Fiscalização
A Anac informou por meio de nota não ter um balanço sobre o combate ao
tráfego pirata. “O transporte aéreo sob demanda, por não ser previsível,
dificulta o planejamento de ações pontuais e específicas de
fiscalização, a não ser em casos de denúncias”, disse o texto. No
entanto, durante conversas informais, profissionais do setor comentam
que a agência justifica o atual cenário pela “falta de pessoal”.
Fonte: IG
http://blogmanueldutra.blogspot.com.br/2013/09/voos-piratas-aumentam-riscos-de.html

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