Em Aveiro, PA, servidores não recebem desde julho.
Tribunal de Contas dos Municípios diz que a verba foi repassada.
De acordo com o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), servidores de
40 municípios paraenses estão com salários atrasados. O caso mais grave é
em Aveiro, no oeste do estado. Segundo o TCM, os professores estão
desde julho sem receber salário.
"O que eles podem fazer hoje é ingressar em juízo contra o atual gestor
porque o recurso pra isso existe. Muitos municípios conseguem cumprir
essa obrigatoriedade legal. Por que no último ano de mandato não se
consegue fazer isso? Porque provavelmente há má fé", diz o diretor de
apoio aos municípios do TCM, Kleber Mesquita.
Funcionários de Salinopólis e São Miguel do Guamá também estão sem
receber salários. Em São Miguel, trabalhadores fizeram protestos nesta
quarta-feira (6) e cercaram a sede da prefeitura. A tropa de choque foi
acionada para garantir a segurança.
"Só tenho arroz e feijão em casa. É muita dificuldade. E todo dia a
gente trabalha e é cobrado", diz Marinaldo Rocha, auxiliar de serviços
gerais.
Na semana passada, funcionários de várias secretarias de Marituba, na
região metropolitana de Belém, protestaram na frente da prefeitura por
conta da falta de pagamento. "Acho uma irresponsabilidade do gestor. Fui
ao Ministério Público e ficou determinado que em 72h o salário deveria
ser pago, mas nada foi depositado na minha conta", diz o servidor Paulo
Jorge, porteiro da Secretaria de Agricultura de Marituba, que está sem
receber desde setembro.
O TCM também recebeu denúncias de que os salários também não estariam
sendo pagos há pelo menos três meses em Uruará, no sudoeste do estado.
Na semana passada, os funcionários protestaram em frente à sede da
Procuradoria da República, em Altamira.
O diretor de apoio aos municípios do TCM diz que esses casos são mais
comuns no final de mandato de prefeitos que não se reelegeram. "Essa
dívida é do município, mas a responsabilidade hoje é dos atuais
prefeitos que estão deixando o cargo. A obrigação é desses prefeitos
pagarem os salários dos servidores e há como responsabilizar
pessoalmente o autal gestor se ele deixar esse débito para o futuro
gestor", explica.
Se a improbidade administrativa for comprovada pela Justiça, o prefeito
que está em dívida com os servidores poderá pagar indenização por danos
materiais, perder a função pública e ainda ter os direitos políticos
suspensos por até dez anos.
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