RASTILHO DE PÓLVORA

“A DIFERENÇA ENTRE A PALAVRA CERTA E A PALAVRA QUASE CERTA, É A DIFERENÇA ENTRE O RELAMPAGO E O VAGALUME"

CEM ANOS DE HIPOCRISIA

Escrito por Rodrigo Constantino   
"É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda, que admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa  transa adúltera com a Coca-Cola..." (Roberto Campos).
O arquiteto  Oscar Niemeyer completou um século de vida sob grande reverência da mídia.  Ele foi tratado como "gênio" e um "orgulho nacional", respeitado no mundo  todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em primeiro lugar porque  não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma análise técnica, e em  segundo lugar porque isso é irrelevante para o que pretendo aqui  tratar.
Entendo  perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor, e julgá-los  independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas respeitar seu  trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande confusão no caso de  Niemeyer e tantos outros "artistas e intelectuais". O que acaba sendo  admirado, quando não idolatrado, é a própria pessoa. E, enquanto figura  humana, não há nada admirável num sujeito que defendeu o comunismo a vida  inteira.
Niemeyer,  sejamos bem francos, não passa de um hipócrita. Seus inúmeros trabalhos  realizados para governos, principalmente o de JK, lhe renderam uma bela  fortuna. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais, tornando-se um  homem bem rico. No entanto, ele insiste em pregar, da boca para fora, o  regime comunista, a "igualdade" material entre todos. Não consta nas  minhas informações que ele tenha doado sua fortuna para os pobres.  Enquanto isso, o capitalista "egoísta" Bill Gates já doou vários bilhões à  caridade. Além disso, a "igualdade" pregada por Niemeyer é aquela  existente em Cuba, cuja ditadura cruel o arquiteto até hoje  defende.
Gostaria de  entender como alguém que defende Fidel Castro, o maior genocida da América  Latina, pode ser uma figura respeitável enquanto ser humano. São coisas  completamente contraditórias e impossíveis de se conciliar. Mostre-me  alguém que admira Fidel Castro e eu lhe garanto se tratar ou de um  perfeito idiota ou de um grande safado. E vamos combinar que a ignorância  é cada vez menos possível como desculpa para defender algo tão nefasto  como o regime cubano, restando apenas a opção da falta de caráter mesmo.  Ainda mais no caso de Niemeyer. Na prática,  Niemeyer é um capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da pior  espécie: o que usa a retórica socialista para enganar os otários. Sua  festa do centenário ocorreu em São Conrado, bairro de luxo no Rio, para  400 convidados. Bem ao lado, vivem os milhares de favelados da Rocinha.  Artistas de esquerda são assim mesmo: adoram os pobres, de preferência bem longe. Outro aclamado  artista socialista é Chico Buarque, mais um que admira Cuba bem de longe,  de sua mansão. E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem  afastados de seus eventos. A definição de socialista feita por Roberto  Campos nos remete diretamente a estes artistas: "No meu dicionário,  'socialista' é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora  ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se  considera mais igual que os outros".
Aquelas  pessoas que realmente são admiráveis, como tantos empresários que criam  riqueza através de inovações que beneficiam as massas, acabam vítima da  inveja esquerdista. O sujeito que ficou rico porque montou um negócio,  gerou empregos e criou valor para o mercado, reconhecido através de trocas  voluntárias, é tachado de "egoísta", "insensível" ou mesmo "explorador"  por aqueles mordidos pela mosca marxista. Mas quando o ricaço é algum  hipócrita que prega aos quatro ventos as "maravilhas" do socialismo,  vivendo no maior luxo que apenas o capitalismo pode propiciar, então ele é  ovacionado por uma legião de perfeitos idiotas, de preferência se boa  parte de sua fortuna for fruto de relações simbióticas com o governo. Em resumo, os esquerdistas costumam invejar aquele que deveria ser admirado,  e admirar aquele que deveria ser execrado. É muita inversão de valores!
Recentemente,  mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro. Eles eram  artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram a  oportunidade e abandonaram o "paraíso" comunista, que faz até o Brasil  parecer um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer  uma proposta: trocar esses três "fugitivos" que buscam a liberdade por  Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados  artistas brasileiros, defensores do modelo cubano. Claro que não seria uma  troca compulsória, pois estas coisas autoritárias eu deixo com os  comunistas, que abominam a liberdade individual. A proposta é uma  sugestão, na verdade. Acho que esses três comunistas mostrariam ao mundo  que colocam suas ações onde estão suas palavras, provando que realmente  admiram Cuba. Veríssimo recentemente chegou a escrever um artigo  defendendo Zapata e Che Guevara. Não seria maravilhoso ele demonstrar a  todos como de fato adora o resultado dos ideais dessas pitorescas  figuras? Enfim, Niemeyer completa cem anos de vida. Um centenário defendendo atrocidades,  com incrível incapacidade de mudar as crenças diante dos fatos. O que  alguém como Niemeyer tem para ser admirado, enquanto pessoa? Os "heróis"  dos brasileiros me dão calafrios! Eu só lamento, nessas horas, não  acreditar em inferno. Creio que nada seria mais justo para um Niemeyer  quando batesse as botas do que ter de viver eternamente num lugar como  Cuba, a visão perfeita de um inferno, muito mais que a de Dante. E claro,  sem ser amigo do diabo, pois uma coisa é viver em Cuba fazendo parte da  nomenklatura de Fidel, com direito a casas luxuosas e Mercedes na garagem,  e outra completamente diferente é ser um pobre coitado qualquer lá.  Acredito que esse seria um castigo merecido para esse defensor de Cuba,  que completa um século de hipocrisia sendo idolatrado pelos  idiotas.
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Encaminhado pelo Adv Jorge Umberto - Ilustração Ivanio Alencar

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