RASTILHO DE PÓLVORA

“A DIFERENÇA ENTRE A PALAVRA CERTA E A PALAVRA QUASE CERTA, É A DIFERENÇA ENTRE O RELAMPAGO E O VAGALUME"

Belo Monte, o outro lado da História...

Por: Roberto Strapasson (*)
Sou de Jacareacanga, município próximo da famigerada Hidrelétrica de Belo Monte, empreendimento que tem sido atacado com veemência pelos ambientalistas, mas que infelizmente o fazem sem o devido embasamento técnico e o que é pior, o fazem à margem da verdade, criando um verdadeiro “monstro” e confundindo a opinião pública.
Roberto (Beto) Strapasson
Para demonstrar o quanto a preservação ambiental tem sido prioridade na Amazônia, cito o exemplo do meu município que tem hoje quase 99% da área protegida por Unidades de Conservação, Terras Indígenas e demais áreas protegidas por lei e, no entanto, é o município com o menor PIB per capita do país(IBGE2008). Trazendo a tona uma questão muito séria: Todo mundo quer preservação, mas ninguém quer pagar a conta. Conta essa que nós já estamos pagando com a pobreza, por um protecionismo absurdo imposto à Amazônia, e o que é mais triste, por outros países e interesses escusos.
Quando partimos para o nível regional, a realidade não é diferente. Vivo a pouco tempo na região, mas tempo suficiente para ter acompanhado de perto a criação do Plano BR 163 Sustentável, ao qual a região de Belo Monte faz parte, e onde já foram criados, somente nos últimos anos, mais de 16 milhões de hectares de Unidades de Conservação, seja de uso sustentável ou proteção integral(anexo mapa da região mostrando o mosaico de UCs), que juntas com terras militares, Terras Indígenas(33 terras Indígenas) e Quilombolas, totalizam mais de 49 milhões de hectares de áreas protegidas(fonte:Plano BR 163 Sustentável).
É algo inédito e tão grandioso, que representa duas vezes o tamanho do Estado de São Paulo ou mais de 22 vezes o estado do Sergipe. Isso é respeito ao meio ambiente, é respeito aos povos Indígenas e às populações tradicionais.
Agora é hora de avançar e resolver os problemas sociais e de infraestrutura da Amazônia, dentre os quais a energia faz parte. Temos um potencial hidrelétrico imenso que, de forma racional, deve ser usado em benefício do país e da própria Amazônia. Assim como em qualquer outra parte do Brasil, também necessitamos de estradas, de energia, de portos e aeroportos, mas querem nos tirar o direito de fazer parte de uma nação em desenvolvimento, e nos aprisionar na cela do abandono como se desta nação não fizéssemos parte. É lamentável que pessoas mal informadas e na maioria das vezes mal intencionadas tentem manter a Amazônia aprisionada no passado, tentando confundir preservação ambiental com protecionismo e desenvolvimento sustentável com miséria.
As alegações de que o projeto é ambientalmente inviável caem por terra diante dos fatos. E para ficar mais claro, enquanto a média nacional de alagamento por MW instalado é de 0.49 km², a previsão da usina em questão é de alagar apenas 0.04 km² por MW instalado. Mesmo quando consideramos apenas a geração média de energia que deve ficar próximo de 4.500MW ainda assim a área alagada é de 1.1km² por MW médio gerado, o que fica muito, mas muito aquém da média nacional. Outro ponto a ser destacado e que poucas pessoas conhecem é que dos 502,8km² propalados como área de alagamento da Usina, 228km² ou 44%, correspondem ao próprio leito original do rio.
Os Brasileiros precisam ficar sabendo da VERDADE sobre a Amazônia enquanto ela ainda é nossa, ou será que esse tempo já se foi?


Anexo I: A “colcha de retalhos” de UCs e Terras Indígenas.
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(*)
Cursa Filosofia
Conselheiro da Flona Amana
Vice Presidente Aprojap (Associção dos Produtores)
Presidente Conselho de desenvolvimento Rural
Secretário Municial de Agricultura e Mineração
Coordenador do Comitê Pró-Criação do Estado do Tapajós
 

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3 Comentários

Anônimo disse…
MAIS UMA VEZ PARABENIZO POR TRAZER A REALIDADE DOS FATOS PARA ESTE MEIO DE COMUNICAÇÃO, O IDEAL SERIA ENVIA COPIA DESTA MATÉRIA A TODOS OS BRASILEIRO PARA PODEREM SABER QUE NA AMAZONIA TABEM HA PESSOAS QUE QUEREM MAIS CONFORTO UMA VIDA DIGNA. POIS SE HOJE EM UMA CIDADE GRANDE FALTAR LUZ POR UM DIA SEQUER O CAOS TOMA CONTA.
Anônimo disse…
Parabens Roberto pela sua análise;acho que nossa região tem tudo para dar exemplo de desenvolvimento sustentável,já fizemos o macro ordenamento fundiário garantindo um mosaíco excepicional de unidades de conservação,conforme podemos verificar no mapa,já garantimos espaço para as florestas, para os animais,para a conservação e preservação da biodiversidade, agora precisamos pensar mais no desenvolvimento sócio-econômico para que realmente tenhamos o desenvolvimento sustentável onde o ser humano também tenha vez e voz,sobretudo nós que vivemos no abandono,mas temos contribuído de forma significativa com o Brasil e o mundo na conservação das florestas.
Anônimo disse…
Parabéns pela divulgação de sua opinião e exposição da realidade da região onde vive hoje. Esta iniciativa deveria ser proliferada por outras liderança, que tem a responsabilidade de representar a comunidade principalmente nesta ocasião, quando todo o futuro de uma região pode estar em jogo.
Dizer o que uma obra destas pode prejudicar a comunidade sem nunca ter vivido naquela realidade é algo irresponsável. Principalmente por quem vive dia a dia usufruindo de todo o conforto e desenvolvimento que a eletricidade proporciona.
Quem diz que a construção desta obra não deve ser efetivada, provavelmente não deve ser brasileiro por não querer que seu povo tenha acesso ao desenvolvimento e inclusão social que esta proporcionará.
Continue assim Beto. Parabéns!

Daniel Luís Savoldi