domingo, 18 de abril de 2021

MUNDURUKU Vs. MUNDURUKU - Situação se complicando

AGRAVA-SE SITUAÇÃO DE CONFLITO ENTRE PARENTES DA ETNIA MUNDURUKU

JACAREACANGA – A estranha ausência da Funai da tentativa pelo menos de serenar os ânimos entre indígenas que apoiam a garimpagem nas Terras Indígenas Sai Cinza e Munduruku e os  indígenas que se manifestam contra a atividade garimpeira poderá em poucas horas redundar em uma crise de consequências trágicas e imprevisíveis.

É fato que a Coordenação da Funai em Itaituba  ressente-se da crônica falta de recursos orçamentários e financeiros para fazer gestões em território indígena com a finalidade de apoiar as comunidades indígenas e neste instante em  se tentar  abrir uma janela de entendimento para a crise que se arrasta há algum tempo e que coloca em rota de colisão parentes  da mesma etnia que apoiam a atividade de garimpagem contra  parentes que se manifestam contra a atividade considerada ilegal.

Depois do bloqueio à entrada da cidade de Jacareacanga na BR 230 que tem o fito de impedir a passagem e entrada  da força da  Operação para desarticular as atividades garimpeiras tidas como ilegais, o Comando da Operação inicialmente montou sua força, com fúria e fogo  para os garimpos adjacentes ao município de Jacareacanga, tocando o terror, como declara um garimpeiro nas redes sociais,  reduzindo à cinzas maquinários,  veículos de transportes, casas de abrigo dos garimpeiros, oficinas, utensílios e insumos de apoio à garimpagem em geral, e muito, muito combustível que se esparramaram pelas aguas com fogo dando um ar apocalíptico no espaço entre ferros e materiais calcinados pelo fogaréu.

O contingente agrupado  na entrada da cidade vive constantemente sabendo da evolução do trabalho da operação através das redes sociais que veiculam diretamente dos garimpos  as informações da operação ora em cadeia, mesmo assim sustentando  que  não permitirão a entrada da Força Operacional Federal na cidade.  A situação é preocupante? Claro que sim! Rebuscando em um passado recente os Munduruku trazem à memória a trágica morte de um indígena que foi assassinado por um delegado da Policia Federal no início dessas operações em  novembro de 2.012 quando ocorreu na Aldeia Teles Pires o uso de força incrivelmente desproporcional para enfrentar uma população constituída em sua maioria de velhos e crianças além de mulheres. A situação é preocupante mesmo? Sim! e muito! Recebemos hoje, neste horário 23h48’ deste dia 18/04/2022 através de comunicação via WhatsApp  a informação diretamente de um Aldeamento Indígena, provavelmente  do Rio Cururu onde concentra-se a maior densidade populacional, a  informação que muitas índios que são contra as atividades garimpeiras,  estariam das regiões do Rio Teles Pires  se unindo para comporem um grupo com centenas de guerreiros para virem desobstruir a entrada da cidade visando permitir o acesso dos componentes da Operação para fazerem a fiscalização  e colocarem fim na atividade de garimpagem ilegal por qual passa as Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza.

A mensagem via WhatsApp, fala  do apoio que os garimpeiros estão recebendo de alguns núcleos da sociedade, se esquecendo que comerciantes sofrem uma coação irresistível para doarem alimentos e até combustíveis para a manutenção da barreira de contenção que foi criada à entrada da cidade.

Abaixo segue uma parte da transcrição do áudio:

Primeiro áudio

“... Porque é assim parceiro, porque eles tão pensando assim, porque até o @#%¨$ está apoiando esses caras, porque a polícia que ta aqui não ta resolvendo nada, porque onde nós tava la na beira a policia passou bem pertinho de nós, nem falou nada ca gente, então nós fomos na delegacia, aí num tinha delegado, ai ficou mais pior, porque esse município não tem delegado aqui no município de Jacareacanga porque a culpa vai pegar pra vocês e pro #$@%&

Segundo áudio

...pois é parceiro o negocio ta feio tédoido, oh, esses garimpeiros, eu não sei como é que vamos fazer não oh... porque nós estamos esperando a (ininteligível) se a Policia federal não resolver, ta vindo  uns 500 guerreiros lá de cima pra  encarar esses garimpeiros, porque, porque nós somos mais, tu sabe né a aldeia maior que tem lá  é do pessoal lá de cima né... pessoal até no Santa Maria e aldeia Teles Pires, sabe, eles estão esperando só a (ininteligível) da Policia federal, se a Policia Federal  não resolver vamos entrar aqui sabe... vais pegar fogo, o danado de Jacareacanga é que ninguém vai escapar, isso eles estão pensando porque os comerciantes estão apoiando, o Posto Dado tão apoiando, taxista que faz frete tão apoiando  garimpeiros, então os (ininteligível) ficaram com raiva, tem que resolver porque se não o município de vocês, município de vocês não, o nosso município vai ficar meio queimado oh..., muito barrela então não sei como vai ficar não... okey?"


-Atenção Senhor Coordenador da Funai em Itaituba e demais indigenistas, sabemos a dificuldade por qual passa o órgão no que tange a  recursos, é hora de estabelecer parcerias, liguem para o Prefeito de Jacareacanga, Valdo do Posto, e solicitem transporte e rancho para viagem e desloquem-se para Jacareacanga e com muita habilidade tentem apaziguar os ânimos. Ainda dá tempo!

Um comentário:

Unknown disse...

A meu amigo que falta tu faz na administração da funai ...mas não só os concursados que vem da caixa prego não se adaptam a vida no interior e nem nas áreas indígenas.....o maior erro da funai é não regionalizar os concursos dar as chances para as pessoas da terra e que tenha experiência e amor a causa! No teu tempo onde já que chegaria a esse ponto ! Mas vamos observar o desenrolar dos fatos !