terça-feira, 7 de julho de 2020

OPERAÇÃO VERDE BRASIL-2 SOFRE SOLUÇÃO DE CONTINUIDADE

Exército paralisa operação contra desmatamento no Pará e deixa fiscais do Ibama sem apoio

O trabalho acontecia em Uruará, município cortado pela rodovia Transamazônica



BRASÍLIA - A operação militar do governo ,Bolsonaro Verde Brasil 2, criada em maio para o combate ao desmatamento na Amazônia, abandonou uma das principais ações que estavam em andamento no Pará, deixando agentes do Ibama, Polícia Federal e Força Nacional sem terem como prosseguir no trabalho. A informação foi confirmada oficialmente pelo Ibama.

O trabalho acontecia em Uruará, município cortado pela rodovia Transamazônica, e fortemente marcado pela presença de madeireiras ilegais. A paralisação foi oficialmente comunicada pelo Ibama, conforme despacho ao qual a reportagem teve acesso.

No comunicado enviado à sala de situação e controle do Ibama, os agentes em campo informam que, desde a última sexta-feira, 3, o Exército, por meio do 51º Batalhão de Infantaria de Selva (51º BIS), "suspendeu o apoio às ações de desmontagem das serrarias do município de Uruará conforme programação das ações do GLO (Garantia da Lei e da Ordem) nesta região.

A paralisação, como afirma o próprio Ibama, tem resultado em desperdício de dinheiro público, com dezenas de servidores pagando diárias de hotel e alimentação, sem terem como executar o trabalho, enquanto as madeireiras desmontam bases para escapar da fiscalização.

"Informo que, sem o apoio do Exército, se torna inviável a continuidade das ações, o que fez com que os agentes dos demais órgãos envolvidos, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, além da empresa de logística contratada para a retirada e transporte das serrarias, fiquem parados, pagando diárias para seus agentes, aguardando uma resposta definitiva do Exército, uma vez que o mesmo não deixou claro se haverá ou não continuidade da sua participação na ação", afirma o órgão federal.

Os agentes do Ibama alertam ainda que, em sobrevoo feito no sábado, 4, sobre a região de Uruará, "foi constatado que as empresas que ainda faltam ser fiscalizadas, em torno de 15, estão aproveitando esta suspensão das atividades para desmontarem os equipamentos, o que nos leva a afirmar que, caso não sejam retomadas as atividades o mais rápido possível, corre-se o risco de, na retomada das ações, não se encontrar mais os maquinários que são o alvo principal da ação", afirmam, no documento.

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Portal Terra
Titulo e  legenda RP

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