RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Transações misteriosas

Transações misteriosas (Foto: Divulgação)
Quando o Barcelona anuncia pomposamente a contratação do volante Paulinho, que estava jogando no futebol chinês, é legítimo concluir que há algo de errado com uma das mais consagradas e repetidas máximas do nobre esporte bretão: aquela que prega não haver mais bobo no futebol. Antes de conclusões precipitadas, é preciso observar que o clube dispõe de dinheiro de sobra para torrar em contratações, a partir da multa paga pelo PSG (mais de R$ 800 milhões) pela liberação de Neymar.
Ainda assim, com tamanha fortuna em mãos, além da dinheirama que o Barcelona já tem normalmente, soa esquisito que o primeiro reforço anunciado pós-Neymar seja justamente um volante de limitações óbvias, que não deu certo no futebol inglês, bem menos técnico que o espanhol, e que até hoje só jogou direitinho sob a batuta de Tite. Paulinho custou R$ 151 milhões ao Barcelona – o 4º reforço mais caro da história do Barça, atrás apenas de Neymar, Luizito Suárez e Zlatan Ibrahimovic.
É claro que a boa fase na Seleção Brasileira foi fator decisivo para que Paulinho chegasse ao Camp Nou. Os mais empedernidos defensores do ex-corintiano irão argumentar que o Barcelona já tomou outras decisões surpreendentes, como a de apostar no limitado Belletti há alguns anos, por exemplo – até com bons resultados no fim das contas.  O clube azul-grená também cometeu a contratação de Gabriel Milito, um beque argentino pouco mais do que esforçado, e tem hoje no elenco outro defensor hermano, Javier Mascherano, cujas façanhas em campo são sempre associadas à capacidade de nocautear adversários.
Nesse aspecto, a aquisição de Paulinho não chega a ser um despautério. De todo modo, para quem viu o volante atuando na Seleção de 2014, perdido no meio-campo desatinado que Felipão armou com Fernandinho a lhe fazer companhia, ficam muitas dúvidas no ar quanto aos critérios de contratação seguidos por um dos gigantes do futebol no mundo.
Sigo, porém, com a convicção de que os rumos dos negócios são ditados principalmente pela capacidade de convencimento dos grandes empresários. Em última análise, o que realmente conta é a velha lábia na hora de propagandear determinado atleta.
Não esquecer nisso tudo a relevância que a camisa canarinho ainda tem, apesar dos pesares, na hora de valorar um jogador de futebol. Ao mesmo tempo, quando vejo um Paulinho sendo contratado a peso de ouro, não consigo deixar de imaginar o que pensam disso craques indiscutíveis como Jairzinho, Rivelino, Zico e outros, cujas fantásticas carreiras não tiveram o mesmo feliz destino financeiro.  
DOL

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