RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Educação do Pará é a pior do Brasil

Educação do Pará é a pior do Brasil (Foto: Daniel Costa)
O Pará mais uma vez aparece em pesquisas como o pior do país, desta vez na área de educação. O Estado tem a mais alta taxa de evasão em todas as etapas de ensino, chegando a 16% no ensino médio, ante 12% da média nacional. É o que aponta o Censo Escolar, que contém os indicadores de fluxo escolar, divulgado pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e Ministério da Educação.
É o segundo levantamento feito em um intervalo de poucos dias onde o ensino paraense tem destaque negativo. Dados do Unicef também apresentados essa semana apontam que o Estado tem mais de 8% de crianças e adolescentes com 4 a 17 anos fora das escolas. São quase 176 mil pessoas em idade escolar e que não estão devidamente matriculadas. Nos anos iniciais do ensino médio, a ausência da escola é ainda maior: 25%, e nos anos finais chega a 13%. 
A longa distância e o isolamento de comunidades ribeirinhas é visto por especialistas do Inep como um fator a ser considerado no indicador do Pará, que chega a 16% no ensino médio e está acima da média nacional ao longo de todos os anos escolares. 
REPETÊNCIA
O Estado do Pará também é destaque negativo em outo indicador do Censo Escolar, que analisa a promoção e repetência do ensino médio. O Pará só perdeu para a Bahia, por muito pouco, nos anos iniciais e ficou entre os cinco piores nos anos finais do ensino médio, respectivamente com 13% e 15% de repetência entre os matriculados.
“Há um descaso e um total abandono da rede de escolas públicas do Pará. A gente vê milhões sendo gastos em propaganda do Governo do Estado na TV, mas nas escolas a realidade é outra: professores mal pagos, falta de merenda, escolas depredadas, altos índices de violência. Como o Poder Público pretende segurar a criança e o adolescente na escola dessa maneira?”, indaga o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Estado do Pará, Williams Antonio da Silva. O Sintepp realiza nesta quinta-feira (22) a Marcha em Defesa da Educação Pública, em Belém.
A secretária de Educação do estado, Ana Cláudia Hage, foi procurada, mas não retornou ao pedido do DIÁRIO.
Estudante é esfaqueado dentro da escola estadual em Belém (Foto: Divulgação)

Segundo o MEC, Pará é o Estado com maior evasão escolar de todo o país (Foto: Divulgação)

Professores estaduais paralisam hoje
Com uma pauta de reivindicações que aborda desde o cumprimento do piso salarial até a estrutura das escolas, professores da rede estadual de ensino paralisarão as atividades nesta quinta-feira (22). A ideia da categoria é se dirigir até a sede da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para exigir uma audiência. A expectativa é de que mais de 90% das escolas da Região Metropolitana de Belém se juntem ao movimento.
Coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Alberto Andrade explica que a ideia é não encerrar o semestre sem lutar pelos direitos que há tempos a categoria já vem cobrando. “O Governo continua não cumprindo a lei do piso, a estrutura das escolas só vem se agravando”.
Entre os pontos de pauta, o mais recente se refere à questão da lotação dos professores. Alberto explica que várias turmas estão sem professores em algumas disciplinas porque o Governo do Estado teria criado uma regra que impede que os professores lecionem em disciplinas que não sejam as quais eles
foram aprovados em concurso público.

Governo do Estado reduz investimentos na educação básica 
O Governo do Pará reduziu investimentos da Educação. Do total de recursos para educação básica, apenas 1,7% foi destinado a investimentos no ano passado. É o que revela o quadro da execução financeira do exercício de 2016 do Plano Plurianual (PPA) 2016/2019.
Das 38 obras programadas para construção no ano de 2016, 14 estão em andamento, 16 estão paralisadas e em fase de revisão e adequação de contratos, enquanto que oito não foram iniciadas. Também em relação às metas de reforma e ampliação de unidades escolares, o desempenho no ano passado ficou abaixo do previsto. Registram-se 57 obras, em onze regiões, não iniciadas. Outras 81 obras estão paralisadas.
“Há escolas sendo reformadas há mais de sete anos. Nunca termina, nem se pensa em construir novas”, garante Wiliams Silva, dirigente do Sintepp.
(Kelly Lima e Cintia Magno/Diário do Pará)

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