RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O homem que mudou o jogo da seleção brasileira

O homem que mudou o jogo da seleção brasileira (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Adenor Leonardo Bachi. Para a família, apenas Ade, um sujeito simples, apaixonado por futebol desde garoto e que agrega todos ao seu redor. Para o resto do mundo, Tite (foto), apelido que assumiu após Luiz Felipe Scolari confundi-lo com outro atleta amador e levá-lo para o Caxias, na época em que os dois ainda não haviam ultrapassado as fronteiras do Rio Grande do Sul. 
As notas medianas na escola e uma carreira sem brilho como jogador, não deixaram entrever que Tite seria, hoje, uma unanimidade no Brasil. Afinal, aos 55 anos, ele é o responsável direto por toda a comoção em torno da seleção brasileira, que, não faz muito tempo, era tratada como uma verdadeira religião nesse país, que tem suas bases sociais e culturais intrinsicamente ligadas ao futebol. Uma importância que foi diminuindo com fracassos acumulados e corrupção desenfreada na CBF. Mas Tite, religioso que é, uma herança da mãe, dona Ivone, e devoto de São Jorge, vem conseguindo restaurar a fé do povo na seleção. Pelo menos no que se refere às quatro linhas.
HISTÓRICO
Com passagens marcantes pelo Grêmio e Internacional, onde conquistou a Copa do Brasil de 2001 e a Copa Sul-Americana de 2009, respectivamente, foi no Corinthians que o treinador despontou de vez, levando o clube paulista à inédita conquista da Libertadores da América, além do Mundial de Clubes e dois Campeonatos Brasileiros. 
A leitura moderna de jogo, posta em prática de forma exemplar por seus times, ficou evidente e com ela a certeza de que Tite seria o único técnico brasileiro capaz de recolocar a seleção nos trilhos. Expectativa que vem se cumprindo com louvor. Bom futebol e excelentes resultados voltaram a fazer parte da nossa rotina. Nas Eliminatórias, assumiu com o time em 6º lugar. De lá para cá, foram 8 jogos e 8 vitórias, 24 gols marcados e apenas 2 sofridos. O temor de que o Brasil ficasse pela primeira vez de fora da Copa do Mundo se dissipou num passe de mágica. A classificação veio fácil. Graças a Tite!
O ESQUEMA DE TITE
-Ao assumir, Tite optou pelo esquema que mais domina, o 4-1-4-1 do Corinthians campeão brasileiro de 2015. Casemiro passou a ser o único volante, como era Ralf no Corinthians. À frente, na linha de 4, Philippe Coutinho, após barrar Willian, virou o meia pela direita, com liberdade para buscar o meio. Exatamente como Jadson no Corinthians. Na esquerda, joga Neymar, com característica de atacante, assim como era Malcom no time paulista. Pelo centro, Renato Augusto repetia sua função no time campeão de 2015. Tem ao lado Paulinho, habituado a trabalhar com Tite e capaz de marcar e de se aproximar do ataque, como Elias. A execução, é claro, foi facilitada por ter, na seleção, os melhores do país. 
- Para fazer a bola sair da defesa e chegar ao ataque através de passes e triangulações, era preciso criar alternativas de saída de bola. A seleção passou a ter, ao menos, três jogadores fazendo a saída da bola. Pode ser com um dos laterais alinhado aos zagueiros; pode ser com Casemiro junto aos defensores ou se movimentando para ser opção de passe; ou, ainda, com o recuo de um dos meias para iniciar jogadas. A partir daí, o jogo se orienta para a aproximação de jogadores perto do homem da bola, criando sempre, ao menos, duas opções de passe. A troca de passes horizontal perto da zona defensiva busca encontrar espaço entre as linhas de marcação rival. Quando ocorre, dá lugar a um passe vertical, e o jogo ganha velocidade.
(Carlos Eduardo Vilaça/Diário do Pará)

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