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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Pará pede ajuda federal para investigar matanças

Pará pede ajuda federal para investigar matanças (Foto: Celso Rodrigues)
Com a série de assassinatos que ocorreram na Região Metropolitana de Belém desde sexta-feira (20), após a morte do soldado Rafael da Silva Costa, da Rotam, o governador do Estado, Simão Jatene, telefonou para o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e pediu ajuda do governo federal nas investigações dos crimes. 
O secretário de segurança adjunto do Pará, coronel Hilton Benigno, disse que dos 30 assassinatos, 25 tinham características de execução. Ele confirmou que os crimes podem ter ligação com a morte do policial. "A gente leva em consideração a possibilidade de que os crimes sejam uma reação à morte do policial. Mas ainda não podemos afirmar isso com clareza", destacou o secretário à reportagem da Folha. 
Na sexta-feira, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) criou um gabinete permanente de situação para acompanhar e monitorar as intercorrências registradas. O governo cobrou o envolvimento das corregedorias da Polícia Civil e Polícia Militar para esclarecer os fatos, identificar e punir os responsáveis.
Não foram dados detalhes da ajuda do governo federal, mas Benigno ressaltou que o apoio seria na área de inteligência. 
Mortes
O número de execuções ocorridas desde sexta-feira foi quase dez vezes superior à média diária de homicídios em Belém, que é de três casos, o que já é um índice preocupante e mostra a falta de fôlego do governo do Estado em reprimir os altos índices de criminalidade na capital.
O perfil dos crimes também fugiu do padrão usual: a maioria aconteceu durante a tarde de sexta e em 16 bairros diferentes de Belém, além de Ananindeua e Marituba. Normalmente, os homicídios acontecem à noite e concentram-se nos bairros mais violentos.
Em novembro de 2014, várias execuções foram realizadas após o assassinato do cabo da Rotam Antonio Marco da Silva Figueiredo, conhecido por Cabo Pet. Na época, Pet estava afastado de suas funções e foi morto em uma emboscada vítima de 20 disparos, no bairro do Guamá.
Na noite do dia 4, os crimes iniciaram e seguiram durante a madrugada do dia 5. A matança de novembro revelou o perfil do "cabo Pet" como um militar linha dura, tido como exemplar pelos companheiros de farda e bastante temido no Guamá, onde era visto como um ardoroso combatente da bandidagem. À época de sua morte, estava afastado da Rotam por razões de saúde e respondendo procedimentos disciplinares e inquéritos policiais, dentre os quais por homicídio, extorsão e abuso de poder.
Segundo a CPI das Milícias, Pet comandava grupo de extermínio nas periferias de Belém. Foto: Reprodução/Facebook.
As vítimas daquele episódio foram: Eduardo Felipe Galúcio Chaves, de 16 anos; Bruno Barroso Gemaque, de 20 anos; Alex dos Santos Viana, de 20 anos; Jefferson Cabral dos Reis, de 27 anos; Márcio Santos Rodrigues, de 21 anos; César Augusto Santos da Silva (sem idade divulgada); Marcos Murilo Ferreira Barbosa, de 20 anos; Nadson da Costa Araújo, de 18 anos; Jean Oscar Ferro dos Santos, de 33 anos e Arlesonvaldo Carvalho Mendes, de 37 anos. Um deficiente mental, que teria sido baleado naquela ocasião, é citado como a 11ª vítima pela CPI das Milícias, criada na Assembleia Legislativa do Estado para investigar os crimes.
CPI das Milícias
 Em 2015, o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurava a existência de milícias no Pará reconheceu a existência de pelo menos quatro grupos de extermínio no Estado(um deles no Guamá, outro em Icoaraci e outros dois nas cidades de Marabá e Igarapé-Miri). Na época, o documento pedia o indiciamento de cerca de 60 pessoas envolvidas em tais grupos, dentre elas policiais militares e até políticos do interior.
Em Igarapé-Miri, o grupo seria chefiado pelo ex-prefeito Ailson Santa Maria do Amaral (DEM), o "Pé de Boto", acusado de ser mandante e membro nato de uma organização criminosa, juntamente com seu irmão Hamilton Nazareno, e outros policiais militares supostamente ligados a ele. Ele inclusive chegou a ser preso em 2014, em plena corrida eleitoral, quando era tido por seu então candidato à reeleição ao Governo do Estado, Simão Jatene (PSDB), como "coordenador de campanha no Baixo Tocantins".
(DOL com informações da Folha de São Paulo)

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