RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

domingo, 3 de janeiro de 2016

Submarino do tráfico foi construído no Pará


Submarino do tráfico foi construído no Pará (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
O “submarino da droga” que foi apreendido, no último dia 15, no município de Vigia de Nazaré, na região nordeste paraense, teve sua construção toda no Estado do Pará. Apenas equipamentos como motor, bússola, rádio e sonar foram importados. O submarino estava em construção em um igarapé no interior de uma ilha, na região do Furo da Laura, no rio Guajará-Miri e o delegado Hennison Jacó, à frente do caso, disse não ter nenhuma dúvida que o equipamento seria utilizado para transportar grandes quantidades de entorpecente em um esquema de tráfico internacional.

O DIÁRIO conversou com o delegado titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que deu detalhes da operação que descobriu o “estaleiro” montado dentro de uma mata com vários pontos de observação e serviço de quadrilha organizada.

O delegado disse que uma denúncia chegou à Polícia Civil depois que ribeirinhos notaram nos últimos quatro meses uma movimentação estranha na região tanto por via terrestre com veículos desconhecidos como por via fluvial com lanchas e voadeiras de grande potência.

Foram necessários dois dias para que os policiais da DRE e do Grupamento Fluvial de Segurança Pública conseguisse chegar até a base da quadrilha tempo suficiente para que “olheiros” informassem aos suspeitos a movimentação da polícia na região.Eles deixaram para trás três casas de madeira com energia elétrica produzidas por geradores de energia de alta potência, dois freezers com suprimentos congelados para alimentação de várias pessoas por pelo menos dois meses e mantimentos como fardos de arroz, caixas de atum, caixas de redbull, mil litros de água mineral e caixas de suco concentrado.

PROIBIÇÃO

“As denúncias que chegaram a polícia davam conta que há quatro meses pescadores eram impedidos de entrar no rio e igarapé que dava acesso a base da quadrilha que mantinham postos de vigilância diuturna e placas sinalizando propriedade particular”, afirmou o delegado.

Ele disse ainda que a embarcação foi construída no local mostrando fotos de placas de compensado que foram utilizadas como “forma” para a base em fibra de vidro e lastro de alumínio usando tecnologia de pessoas que conheciam o procedimento de construção náutica.

O delegado informou que a embarcação mede cerca de 17 metros e tem cerca de três metros de altura por três de diâmetro, apresenta capacidade para levar uma carga de aproximadamente 20 toneladas e de transportar uma tripulação de até 30 pessoas.

ESQUEMA COLOMBIANO

A embarcação é do mesmo modelo apreendido pela polícia da Colômbia e mostrada recentemente em um canal de televisão. A tecnologia usada permite que o submarino não seja detectado por radares, principalmente em alto mar, e nem por aviões, uma vez que na água fica apenas a escotilha do lado de fora. 

O que chamou atenção dos policiais foi o material encontrado no local e que somente por barco poderia ser transportado até lá. O motor de alta potência teve a numeração raspada para dificultar a identificação do local comprado, o mesmo acontecendo com o sonar e a bússola. “Apenas o rádio eles não tiveram como inutilizar a numeração e será investigado”, afirma o delegado Hennison Jacó.

Para afirmar que o “esquema colombiano” está por trás do submarino, o delegado apreendeu vários dicionários de espanhol e português e um telefone celular deixado para trás na hora da fuga dos homens que trabalhavam no local.

Além desse material foram encontrados no “estaleiro” da quadrilha 18 beliches, máquinas de solda, maquitas e equipamentos de carpintaria e trabalhos náuticos. “A embarcação estava com cinco mil litros de óleo diesel armazenado em seus tanques e dentro dois beliches e lugar para armazenar aproximadamente 20 toneladas de droga”, disse o delegado Hennison Jacó.

TRÁFICO INTERNACIONAL

O delegado acredita que algumas das pessoas das comunidades próximas sabiam da presença de colombianos na região. “Quando a primeira equipe descaracterizada chegou à região o povo logo perguntava. Vocês estão nos colombianos”, informou o delegado.Pelas investigações da Delegacia de Repreensão a Entorpecentes o submarino seria usado no escoamento de grandes quantidades de drogas para fora do país, possivelmente, com destino aos Estados Unidos e ao continente europeu e as investigações mostraram que o grupo havia se instalado no local desde o mês de setembro deste ano.

Com ajuda da Polícia Federal e da Interpol a Polícia Civil do Pará continua as investigações para tentar identificar o grupo criminoso que instalou esta base no Furo da Laura no município da Vigia, região nordeste do Pará.

(JR Avelar/Diário do Pará)

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