RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O CLAMOR DOS POVOS INDIGENAS DO TAPAJÓS NO III CHAMADO DA FLORESTA


Os indígenas do rio Tapajós marcaram presença e fizeram a a diferença no III Chamado da Floresta. No que dependesse do CNS, seria um evento para incensar o Governo, sem nenhuma análise crítica da conjuntura, sem avaliação da avalanche conservadora no Congresso contra os direitos dos indígenas, quilombolas e povos tradicionais. Nada. Crise, que crise? Para o CNS parece que estamos no "país das maravilhas". Milhões de reais gastos (dinheiro público na sua quase totalidade. Dinheiro que saiu do seu, do meu, do nosso bolso), as tais "tres mil pessoas", e pra que? Pra dizer "sim, sim". 


Os indígenas estiveram em São Pedro para levantar a voz, colocar o dedo na ferida, defender os rios da Amazônia e cobrar respeito aos seus direitos. Não fosse os indígenas, os participantes nem ouviriam que existe uma ameaça terrivel de retrocesso sobre a garantia de seus territórios, como a PEC 2015. Se não fosse os Munduruku do medio e alto Tapajós com sua faixa "Terra Sawré Muybu - Demarcação, sim! Hidrelétricas, não!", quem faria menção a esta outra tragedia que cai sobre nossas cabeças? 



Varias informações dão conta de que os atos dos indígenas em alguns momentos chamaram mais a atenção do que as falas oficiais, e que o discurso da estudante indígena (UFOPA) Auricelia dos Anjos, Arapium, foi a melhor parte de todo o evento. Mas isso só foi possível depois de muito esforço, até cobrando do CNS nacional esta fala. O melhor do III Chamado da Floesta não estava no plano do CNS. Os indígenas tiveram que cavar espaço de participação no evento que acontece na sua própria casa. Afinal, quase a metade da área da Resex Tapajós-Arapiuns é Terra Indígena. 


E se esta Terra Indígena ainda que não foi demarcada oficialmente pelo Estado, os próprios Tupinambá e comunidades vizinhas (não-indígenas) começarão a auto-demarcação deste seu território neste dia 15 de novembro. Daqui a duas semanas. Cansados de esperar pelo Governo, entrarão para a mata, para cortar picos e deixar bem claro que aquela Terra tem dono, e são eles, os Tupinambá, e os outros povos indígenas. Estes são os índios que o CNS gostaria que não existissem na área da Resex Tapajós-Arapiuns. 



O CNS tentou por tudo excluir, silenciar ("não serão admitidos protestos no III Chamado da Floresta. Quem fizer protesto vai ser punido") e calar os indígenas. Mas o resultado foi outro. E não foram só estudantes indígenas na UFOPA que fizeram os atos. Lideranças indígenas de aldeias, como Dona Josefa Tupinambá, Curupini Cara Preta, Seu Tomás e Fuscão Tupinambá, entre tantos outros, também mostraram sua cara indignada. Para eles, o evento foi um sucesso. 
Valeu, parentada!

                                                      POR:  Florencio Almeida Vaz Filho

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