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domingo, 13 de setembro de 2015

Pará tem 3 municípios mais vulneráveis do Brasil

Pará tem 3 municípios mais vulneráveis do Brasil (Foto: Divulgação)
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou, no início da semana passada, o Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros de 2010. O levantamento com 5.565 municípios do País mostra que o Brasil teve redução de 27% na vulnerabilidade social. Mas os avanços ainda são restritos a diferentes regiões do país. A região Norte, por exemplo, incluindo o Pará, apresenta dados preocupantes: nenhuma cidade tem o índice de vulnerabilidade social muito baixo, o que significa que as políticas sociais não chegaram a essas localidades.
Em contrapartida, o sul do país apresenta somente o município de Charrua (RS) em situação de alta vulnerabilidade. O diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Marco Aurélio Costa, avalia que a pesquisa apresenta a existência de dois brasis: o Brasil Norte-Nordeste e o Brasil Centro-Sul. No Norte e Nordeste, há um conjunto de municípios com baixo IDHM e também com alta vulnerabilidade social. O Atlas da Vulnerabilidade mostra a existência dessas desigualdades regionais no Brasil.
O Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) é calculado de 0 a 1, onde 0 apresenta baixo índice de vulnerabilidade e 1 alto. No Atlas de 2000, o Brasil apresentava IVS de 0,446. Este valor indicava que o país estava na faixa da alta vulnerabilidade social. Já em 2010, a vulnerabilidade social foi reduzida a 0,326, o que deixa o país em uma faixa média.
O índice é analisado em três fatores básicos: IVS para Renda e Trabalho; o IVS de Capital Humano e IVS para Infraestrutura Urbana. Neles, a lógica é a mesma: a gradação de 0 a 1 indica que quanto maior o resultado, maior a vulnerabilidade do local.
Abismos
Para o diretor do Ipea, essa situação de disparidade regional aponta um novo debate sobre as políticas regionais e para o fato de que não somente a União, mas os estados e municípios também devem ter participação importante na administração de políticas públicas.
Marco Aurélio Costa explica os critérios usados para compor o IVS a partir de três dimensões: infraestrutura urbana; capital humano; renda e trabalho. No primeiro caso, o da infraestrutura urbana, são avaliados os investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário, o número de pessoas servidas por coleta de lixo e ainda o tempo gasto no deslocamento entre a residência e o local de trabalho.
Famílias e renda
Na dimensão chamada de capital humano, os pesquisadores avaliam a formação escolar, a educação, a estrutura familiar, o analfabetismo e o percentual de pessoas entre 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham nos municípios.Já na dimensão trabalho e renda, a mais sujeita a variações devido às mudanças na conjuntura econômica do País, o Ipea e seus parceiros avaliaram a ocupação, a informalidade e o percentual de famílias de baixa renda e o percentual da população acima dos 18 anos sem o ensino fundamental completo e na informalidade.
Ipea vê padrão nas cidades prósperas
O Ipea também desenvolveu o conceito de Prosperidade Social ao cruzar os dados do Instituto de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) com o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). Municípios mais prósperos são aqueles com alto índice de desenvolvimento humano e baixa vulnerabilidade social. A maior parte deles está concentrada na região Sul do Brasil. Já os menos prósperos estão na região Norte, principalmente no Pará e Amazonas, e no Nordeste, em Alagoas e Maranhão.A avaliação dos mais altos índices de vulnerabilidade mostra que, de 30 municípios com maior vulnerabilidade, 16 estão na região Norte e 14 na região Nordeste. 
Contrastes
Das 30 cidades do País menos vulneráveis, 21 estão no Sul, 8 no Sudeste e uma, a ilha de Fernando de Noronha, no Nordeste. Os extremos das duas situações são Luzerna, no meio-oeste catarinense, de 6 mil habitantes, com o mais baixo índice de vulnerabilidade social e Fernando Falcão, cidade maranhense de 10 mil habitantes que tem o mais alto índice de vulnerabilidade.
(Luiza Melo/Diário do Pará/Sucursal Brasília)

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