RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

domingo, 9 de novembro de 2014

Minério coloca Pará em 8º lugar no país


Ocupando a 12ª colocação entre os 27 Estados brasileiros, incluído aí o Distrito Federal, no tocante à formação do Produto Interno Bruto (PIB), o Estado do Pará ganha quatro posições e passa a ocupar o oitavo lugar quando o parâmetro passa a ser o PIB industrial. Essa variação põe em relevo, mais uma vez, o peso da atividade mineral na economia do Estado. Mais que qualquer outro fator, é a grandeza dos números relativos à indústria de mineração que explica essa singularidade num Estado cujo processo de industrialização é ainda incipiente.
Esse e outros dados, que fazem uma radiografia bastante detalhada do setor em todo o Brasil, foram revelados em estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Intitulado “Perfil da Indústria nos Estados – 2014”, o estudo vai fundo no detalhamento dos números, compondo um mosaico que retrata com bastante nitidez a realidade atual da indústria no país. Na pesquisa aparecem com desconcertante precisão, por exemplo, os números que atestam a fragilidade da atividade industrial na Região Norte e sua maciça concentração nas regiões Sudeste e Sul, as mais ricas e desenvolvidas do Brasil,
Para um PIB nacional de R$ 4,1 trilhões em 2011, base do levantamento feito pelo CNI, o Pará entrou com R$ 88,3 bilhões. O primeiro colocado foi São Paulo, com R$ 1,3 trilhão, vindo a seguir o Rio de Janeiro (R$ 462,3 bilhões) e Minas Gerais (R$ 386,1 bilhões), além de Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Distrito Federal, Bahia, Goiás, Pernambuco e Espírito Santo. Abaixo do Pará, na composição do PIB nacional, estão, entre outras unidades, Ceará, Mato Grosso, Amazonas e Maranhão.
Na composição do PIB industrial, as três primeiras colocações também pertencem, pela ordem, a São Paulo (R$ 304,1 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 120 bilhões) e Minas Gerais (R$ 111,3 bilhões). O Pará permanece ainda atrás de Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Bahia, mas supera outras quatro unidades para chegar à oitava posição, ficando à frente do Espírito Santo, Goiás, Amazonas e Distrito Federal. O PIB industrial paraense, segundo o levantamento da CNI, foi de R$ 34,3 bilhões em 2011, sendo superado por pequena margem pelo da Bahia, que foi de R$ 3,6 bilhões.
Quando o cálculo tem como foco a participação da indústria no PIB dos Estados, o Pará assume a liderança absoluta do ranking nacional. Aqui, mais uma vez refletindo o peso avassalador da indústria extrativa mineral, a indústria responde por 38,9% do PIB estadual. O segundo lugar, em termos nacionais, coube ao nosso vizinho Amazonas, com 34,8% – um claro efeito produzido pelo pujante distrito industrial da Zona Franca de Manaus.
Em São Paulo, Estado que é considerado – com razão – a locomotiva econômica do país, a indústria tem uma participação relativamente modesta (22,5%) na formação do PIB. Os cinco Estados brasileiros onde a atividade industrial tem menor expressão econômica são, pela ordem, Distrito Federal (5,6%), Amapá (7,5%), Roraima (10,5%), Acre (12,3%) e Maranhão (15,6%).
O estudo da CNI mostra ainda um dado triste da realidade econômica do Pará, que continua sendo basicamente um exportador de matérias primas. O Estado, que no ano passado exportou quase US$ 16 bilhões, registra valores pouco expressivos nas vendas externas de manufaturados e produtos industrializados. Estes últimos somaram US$ 2,5 bilhões (15,9% do total) em 2011, segundo a CNI, enquanto os manufaturados ficaram em US$ 1,3 bilhão (8,4%).

SALÁRIOS
Um indicador em que o Pará faz bonito é o do salário industrial médio. Trabalhando com dados relativos a 2013, o estudo da Confederação Nacional da Indústria aponta o Pará na quinta posição em todo o Brasil, com salário médio na indústria de R$ 1.968,00. Também aqui, convém destacar, fica nítida a influência das grandes mineradoras, em especial a Vale, cujo padrão salarial puxa para cima a média no Estado.
Para que se tenha ideia, nesse indicador o Pará supera Estados bem mais ricos e desenvolvidos, alguns deles com alta densidade industrial, mas nos quais as outras atividades econômicas – como a agropecuária, o comércio e os serviços – são também suficientemente fortes para estabelecer um relativo equilíbrio na economia interna. São os casos, por exemplo, do Rio Grande do Sul, onde o salário médio da indústria fica em R$ 1.858,00, ou ainda de Minas Gerais (R$ 1.812,00) e mesmo de Santa Catarina (1.702).

Nenhum comentário: