RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

domingo, 12 de outubro de 2014

ATAQUES NÃO FICARÃO SEM RESPOSTA - BETO RICHA

Governador reeleito do PR, um dos principais cabos eleitorais do tucano neste 2º turno, prevê que programas na TV darão vantagem a Aécio sobre Dilma

Laryssa Borges, de Brasília
Com mais de 55% dos votos, Beto Richa é reeleito governador do Paraná
Com mais de 55% dos votos, Beto Richa é reeleito governador do Paraná (Paulo Lisboa/Folhapress)
Reeleito com mais de 3,3 milhões de votos, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), conseguiu transferir para o presidenciável Aécio Neves boa parte de sua popularidade no primeiro turno: o candidato tucano ao Palácio do Planalto obteve no Estado 3,018 milhões de votos - o equivalente a 49,79% do total. Agora, na reta final da corrida pela Presidência, Richa recebeu instruções diretas do presidenciável para manter a mobilização no Paraná e trabalhar como um “soldado” para levar o PSDB à vitória nacional, desbancando .os 12 anos de governo do PT. Ao lado do governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Richa é um dos principais cabos eleitorais de Aécio no segundo turno e diz que, em meio à pancadaria que os petistas planejam contra o adversário, Aécio deve reagir com “serenidade”, mas não deixar nada sem resposta. A seguir, confira a entrevista concedida pelo governador ao site de VEJA.
Qual deve ser a principal arma de Aécio Neves na disputa do segundo turno? Nesta campanha de segundo turno, até por ser curta, o que mais vai valer são os programas de televisão e rádio. Quem se apresentar melhor vai levar vantagem. E agora que Aécio tem o mesmo tempo da adversária, ele tem condições de crescer ainda mais. Eu vou fazer a minha parte lá, acrescentar mais alguns pontos porcentuais para ele no Paraná, mas a televisão é que vai definir.
Os debates podem ser mais importantes que as viagens em busca do voto do eleitor? Por quê? Os debates também vão definir porque agora é olho no olho, mano a mano. O PT vai inventar um monte de coisa, mas é aquela história: não fale inverdades nossas que falaremos verdades suas. Eles têm o que explicar. O povo brasileiro já tem conhecimento dos escândalos, das denúncias, da incompetência. No primeiro turno, a Marina, que foi alvo desses ataques, não soube reagir. Imagine o que eu apanhei no Paraná do [Roberto] Requião [segundo colocado na disputa pelo governo]. Podemos fazer uma campanha limpa, propositiva, mais alto nível, mas nada fica sem resposta.
Como reagir aos ataques do PT e às tentativas de desqualificar o adversário, como ficou visível já no início do programa eleitoral na TV? Se o PT partir para uma estratégia mais agressiva, Aécio tem de reagir com serenidade, como ele fez no debate. Deve responder em alto nível, com equilíbrio emocional. Tudo isso conta. Mesmo que venham com boatos ou falem que ele não é conhecido, não tem nada que se aproxime dos escândalos que o PT tem cometido nos últimos anos no país. E em estados que ele foi mal, como Pernambuco, ele vai ter novos apoios, do próprio PSB, que agora coordena a campanha dele no Estado. E acredito que a Marina também vai manifestar oficialmente apoio a ele.n Aécio já está em uma onda crescente e, com todos esses apoios que vai receber, não tenho dúvidas de que vai crescer.
Aécio obteve quase 50% dos votos no Paraná. Há espaço para crescer no Estado? Dá para crescer e ele vai crescer. Tem um clima muito forte anti-PT. Temos um grande evento organizado para segunda-feira, dia 13, com mais de 300 prefeitos, ex-prefeitos, deputados eleitos ou não, lideranças comunitárias, empresariais e religiosas. Vamos colocar mais de 3.000 lideranças em Curitiba e estamos tentando uma agenda com Aécio para levá-lo às principais cidades do Paraná para que suas propostas irradiem para toda a região. Nós vamos fazer a campanha dele. Liguei para todas as lideranças, deputados, prefeitos para continuarem trabalhando e não desmobilizarem nas capitais, em cidades-polo, em todas. É para mobilizar geral. Além de agradecermos pelo primeiro turno, precisamos pedir para fazerem a campanha do Aécio e não desmobilizarem. Aécio pode ir a cidades-polo, como Ponta Grossa, Londrina, que é o terceiro maior colégio eleitoral do sul, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel. O ideal é que ele vá às cinco, seis maiores cidades, se der.
Mas o candidato elegeu como prioridade estados em que não obteve votação expressiva, principalmente os do Nordeste, onde perdeu para a petista Dilma Rousseff. Não sendo possível ele ir ao Paraná, eu faço a parte. Talvez ele queira cuidar de estados em que precisa crescer mais. Ele está animadíssimo e pediu para mim e para os demais políticos para manter o apoio e não desmobilizar nada. Ele fatalmente vai crescer ainda mais no Paraná, independentemente de se dedicar com mais afinco a outros estados.
Qual papel o senhor pode ter neste segundo turno? Sou soldado e sou companheiro. Quero que ele vença a eleição. Se a equipe dele e ele próprio imaginar que é mais importante ele ir para Bahia, para o Nordeste, onde tem potencial maior de crescimento e pode ter um desempenho bem melhor do que no primeiro turno, eu cuido do Estado para ele. Aécio é um político testado e experimentado e se expressa muito bem. Nos debates, por exemplo, ficou visível a superioridade dele em conhecimento, em expressão, em preparo, em conteúdo. Aécio disparou realmente depois do debate e agora são tempos iguais, enfrentamento direto. Quero ver. Agora vai ficar mais evidente ainda a diferença dele para a Dilma.
Mas, depois que Aécio perdeu em Minas Gerais - não apenas teve menos votos que Dilma como não conseguiu eleger Pimenta da Veiga ao governo -, o PT já começou a explorar a afirmação de que ‘quem conhece Aécio não vota nele”. Não é verdade essa tese de que quem conhece Aécio não vota nele. Ele foi reeleito como governador de Minas com uma votação expressiva e, durante os oito anos de sua gestão, foi avaliado como o melhor governador do Brasil. A vitória do Fernando Pimentel (PT) em Minas faz parte da política. Eu fui reeleito prefeito de Curitiba com votação histórica, 77,27% dos votos, mas depois não consegui eleger meu sucessor. Faz parte. Acharam que eu estava morto em Curitiba. Cada eleição é uma eleição e, em Minas, o Pimentel se saiu melhor. Isso não é culpa do Aécio.

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