RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

sábado, 12 de julho de 2014

O CASO TELES PIRES E O CRUEL ASSASSINATO DE ADENILSON KIRIXI. -"ERA ISSO QUE VOCÊS QUERIAM, CARALHO?"

MPF denuncia delegado federal por morte de índio 

Adenilson Kirixi Munduruku - Assassinado na Invasão de sua Aldeia (Teles Pires)

Sexta-Feira, 11/07/2014, 17:55:51 - Atualizado em 11/07/2014, 18:01:20

O Ministério Público Federal no Pará (MPF) denunciou à Justiça Federal o delegado da Polícia Federal Antonio Carlos Moriel Sanches, suspeito de participar do assassinato do índio Adenilson Kirixi, da etnia Munduruku. Se a Justiça aceitar a denúncia, o delegado será julgado pelo crime de homicídio qualificado, podendo ser condenado a até 30 anos de prisão.

Adenilson foi morto em 7 de novembro de 2012, durante uma operação policial na aldeia Teles Pires, na divisa do Pará com o Mato Grosso. A chamada Operação Eldorado era coordenada pelo delegado e tinha como objetivo desarticular uma organização criminosa que extraía ouro e destruir balsas de garimpo. A quadrilha atuava ilegalmente nas terras indígenas Munduruku e Kayabi.

A Polícia Federal estimou que só uma das três empresas que revendiam o ouro no Sistema Financeiro Nacional movimentou mais de R$ 150 milhões em dez meses de investigações. Os índios recebiam R$ 30 mil por balsa garimpeira ilegal que, carregada, chegava a render aos operadores do esquema R$ 500 mil. Quatorze embarcações foram apreendidas e inutilizadas.

Segundo relatos de indígenas, uma das lideranças da aldeia tentou convencer os policiais a não destruírem as balsas. A partir daí, as versões policiais e indígenas são conflitantes. Os policiais disseram que, na véspera da ocorrência, cerca de 60 índios tentaram invadir o local onde estava o coordenador da operação, ameaçando-o com arcos e flechas. Após horas de negociação, um acordo permitiu que os policiais prosseguissem com a operação. Apesar disso, os policiais afirmam que, no dia seguinte, foram emboscados quando retornavam à área.

Em nota divulgada logo após a ocorrência, a polícia informou que gravações telefônicas feitas com autorização judicial comprovam que os índios planejavam atacar os policiais, que só revidaram as agressões para proteger a si e aos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e da Fundação Nacional do Índio. Bombas de gás foram lançadas antes que "os policiais usassem a força necessária para reprimir o ataque, tendo em vista o grande número de disparos de armas de fogo vindos da aldeia".

Os mundurukus alegam que não portavam armas e que toda a confusão começou quando o delegado Antonio Sanches empurrou o cacique da aldeia e, por isso, foi empurrado por um outro índio que tentava proteger seu líder. Na confusão, o delegado caiu na água. Os policiais, então, começaram a atirar contra os índios.

Na denúncia apresentada à Justiça Federal em Itaituba (PA), o Ministério Público se vale dos testemunhos indígenas para relatar que vários policiais dispararam contra os índios, mas que os dois primeiros tiros contra Adenilson foram dados pelo próprio delegado, que permanecia dentro do rio, com água pela cintura. Três tiros acertaram as pernas de Adenilson antes que ele também caísse na água. Nesse momento, afirmam os índios, o delegado acertou um último tiro na cabeça da vítima. O corpo de Adenilson só foi encontrado no dia seguinte. A exumação demonstrou que a morte foi causada por um tiro na nuca.

Outros dois indígenas sofreram lesões corporais graves no dia 7 de novembro de 2012, mas não foi possível localizar provas que relacionassem os ferimentos diretamente aos agentes envolvidos na operação. Por isso, apenas o delegado foi denunciado. Ao Ministério Público, os policiais federais que participaram da ação declararam não se recordar bem dos fatos.

Em fevereiro de 2013, lideranças munduruku estiveram em Brasília cobrando das autoridades que o delegado federal e outros eventuais envolvidos na morte de Adenilson Kirixi fossem punidos.

“A Polícia Federal foi à comunidade e destruiu tudo. Assassinou um índio, feriu dois, agrediu idosos, mulheres e crianças, destruiu embarcações e nenhuma providência foi tomada até hoje”, disse à Agência Brasil, na ocasião, Valdenir Munduruku, um dos líderes da Aldeia Teles Pires.

A reportagem não conseguiu localizar o delegado. A assessoria da Polícia Federal informou que o órgão aguardará ser oficialmente notificado para se manifestar sobre o assunto.
(Agência Brasil) 
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Remendo RP
Foto RP
O trágico e cruel acontecimento que vitimou Adenilson com certeza ficará no rol dos crimes insolúveis, principalmente porque a tese da defesa do acusado será em torno de que foi apenas uma reação  ja que foram atacados, e isso não expressa a veracidade dos fatos segundo  fartos comentários entre os indígenas. Se realmente o MPF diligenciou providencias para elucidar o acontecimento, virá às claras, o excesso de força utilizada contra os maltrapilhos indígenas  que portavam apenas armas artesanais não para o confronto e sim artesanatos do cotidiano da aldeia, enquanto a força legal disparou tiros a esmo na aldeia, de projeteis reais de todos os lados inclusive dos helicópteros, ocasionando uma debandada geral de velhos e crianças para as matas enquanto as pessoas que ficaram foram subjugadas ficando boa parte do dia no sol controladas por fortes ameaças de armamento de fogo pesado utilizado para guerra.

A matéria acima, diz que o delegado disparou três vezes contra o indígena Adenilson e isso é verdade, agora imaginem, um homem que pegou dois tiros em cada coxa que quebrou-lhe as pernas, o que  poderia fazer contra o DEFENSOR DA LEGALIDADE (?), sua senhoria o delegado?, se o indígena alvejado duas vezes nas pernas, ficou até sem esboçar reação pelo impacto sofrido, e ainda recebeu em sua nuca um tiro... o de misericórdia!

Onde estão os recursos que a operação levou dos indígenas quando as casas foram bisbilhotadas?, velhos agredidos, existem depoimentos de indígenas que perderam pertences, como propriamente ouro produto de trabalhos para os garimpeiros, celulares e maquinas fotográficas que documentaram as agressões e inúmeros depoimentos. Guardo em meus arquivos imagens (videos e fotografias) da invasão sofrida na Aldeia Teles Pires, de celulares que foram escondidos antes das revistas nas malocas.

A Camara Municipal  de Jacareacanga através da Comissão de Justiça e Cidadania convidada foi no dia seguinte ao massacre, fazer apuração da invasão e fez relatos, à luz dos fatos, e encaminhou para as autoridades competentes e uma pergunta surge pedindo resposta: Será que levaram em consideração na apuração do MPF esses documentos e depoimentos in-logo dos indígenas?

Com a saraivada de tiros que se abateu sobre a aldeia muitas crianças apavoradas por nunca terem visto tamanha selvageria e helicópteros atirando se embrenharam nas matas e dois dias após o fatídico acontecimento, pais e familiares dessas crianças ainda estavam procurando seus filhos perdidos no mato e temendo voltarem para o local do sinistro.

Vejam bem, a indigena Rosenilda e outros indigenas (depoentes)  depois de todos os índios, jovens, velhos e crianças, subjugados, humilhados na pista ainda ouviram poucas e boas dos lideres da operação, que com bravatas perguntavam aos gritos:
ERA ISSO QUE VOCÊS QUERIAM CARALHO?

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