RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

quinta-feira, 22 de maio de 2014

CUBA, O INFERNO NO PARAÍSO.

 
- Fome e miséria...
Se vocês lerem este artigo, vão entender porque os médicos cubanos
assinaram contrato para receber apenas 400 dólares por mês no Brasil;
em torno de R$ 1.000,00 ou seja, pouco mais que nosso salário mínimo.
Isto é um ótimo salário para os padrões de Cuba.
 
 
 
Juremir Machado da Silva
Correio do Povo, Porto Alegre (RS).
 
Na crônica da semana passada, tentei, pela milésima vez, aderir ao
Comunismo. Usei todos os chavões que conhecia, para justificar o
projeto cubano. Não deu certo. Depois de 11 dias na ilha de Fidel
Castro, entreguei, de novo, os pontos. O problema do socialismo é, sempre, o
real. Está certo que as utopias são virtuais; o lugar, não. Mas, tanto
problema com a realidade inviabiliza qualquer adesão. Volto chocado: Cuba é
uma favela no paraíso caribenho. Não fiquei trancado no mundo cinco estrelas
do hotel Habana Libre. Fui para a rua. Vi, ouvi e me estarreci. Em 42
anos, Fidel construiu o inferno ao alcance de todos. Em Cuba, até, os
médicos são miseráveis. Ninguém pode queixar-se de discriminação. É, ainda,
pior. Os cubanos gostam de uma fórmula cristalina: Cuba tem 11 milhões de
habitantes e 5 milhões de policiais. Um policial pode ganhar até quatro
vezes mais do que um médico, cujo salário anda em torno de 15 dólares
mensais. José, professor de História, e Marcela, sua companheira, moram num
cortiço, no Centro de Havana, com mais dez pessoas (em outros, chega a
trinta). Não há mais água encanada. Calorosos e necessitados de tudo,
querem ser ouvidos. José tem o dom da síntese: 'Cuba é uma prisão, um cárcere
especial. Aqui, já se nasce prisioneiro. E a pena é perpétua. Não
podemos viajar e somos vigiados, em permanência. Tenho uma vida tripla:
nas aulas, minto para os alunos. Faço a apologia da revolução. Fora, sei que
vivo um pesadelo. Alívio é arranjar dólares com turistas'.
José e Marcela, Ariel e Julia, Paco e Adelaida, entre tantos com quem
falamos, pedem tudo: sabão, roupas, livros, dinheiro, papel
higiênico, absorventes. Como não podem entrar, sozinhos, nos hotéis de
luxo que dominam Havana, quando convidados por turistas, não perdem tempo:
enchem os bolsos de envelopes de açúcar. O sistema de livreta, pelo qual os
cubanos recebem do governo uma espécie de cesta básica, garante comida, para
uma semana. Depois, cada um que se vire. Carne é um produto impensável. José e
Marcela, ainda assim, quiseram mostrar a casa e servir um almoço de domingo:
arroz, feijão e alguns pedaços de fígado de boi. Uma festa. Culpa do embargo
norte-americano? Resultado da queda do Leste Europeu? José não vacila:
'Para quem tem dólares, não há embargo. A crise do Leste trouxe um
agravamento da situação econômica. Mas, se Cuba é uma ditadura, isso nada
tem a ver com o bloqueio'.Cuba tem quatro classes sociais: os altos
funcionários do Estado, confortavelmente instalados em Miramar; os militares
e os policiais; os empregados de hotel (que recebem gorjetas em dólar); e o
povo. 'Para ter um emprego num hotel, é preciso ser filho de papai, ser
protegido de um grande, ter influência', explica Ricardo, engenheiro que
virou mecânico e gostaria de ser mensageiro nos hotéis luxuosos de redes
internacionais. Certa noite, numa roda de novos amigos, brinco que quando
visito um país problemático, o regime cai, logo depois da minha saída.
Respondem em uníssono: 'Vamos te expulsar daqui agora mesmo'. Pergunto: por
que não se rebelam, não protestam, não matam Fidel? Explicam que foram
educados para o medo, vivem num Estado totalitário, não têm um líder de
oposição e não saberiam atacar com pedras, à moda palestina. Prometem, no
embalo das piadas, substituir todas as fotos de Che Guevara espalhadas pela
ilha, por uma minha, se eu assassinar Fidel para eles. Quero explicações,
definições, mais luz. Resumem: 'Cuba é uma ditadura'. Peço demonstrações.
'Aqui, não existem eleições. A democracia participativa, direta,
popular, é um fachada para a manipulação. Não temos campanhas eleitorais, só
temos um partido, um jornal, dois canais de televisão, de propaganda,
e, se fizéssemos um discurso, em praça pública para criticar o governo,
seríamos presos, na hora'. Ricardo Alarcón aparece, na televisão, para dizer
que o sistema eleitoral de Cuba é o mais democrático do mundo. Os
telespectadores riem: 'É o braço direito da ditadura. O partido indica
o candidato a delegado de um distrito; cabe aos moradores do lugar
confirmá-lo; a partir daí, o povo não interfere em mais nada. Os
delegados confirmam os deputados; estes, o Conselho de Estado; que consagra
Fidel'. Mas, e a educação e a saúde para todos? Ariel explica: 'Temos
alfabetização e profissionalização, para todos; não, educação. Somos
formados, para ler a versão oficial; não, para a liberdade. A educação
só existe, para a consciência crítica, à qual não temos direito. O sistema
de saúde é bom e garante que vivamos mais tempo para a submissão'. José
mostra-me as prostitutas, dá os preços e diz que ninguém as condena: 'Estão
ajudando as famílias a sobreviver'. Por uma de 15 anos, estudante e
bonita, 80 dólares. Quatro velhas negras olham uma televisão em preto e
branco, cuja imagem não se fixa. Tentam ver 'Força de um Desejo'. Uma
delas justifica: 'Só temos a macumba (santería) e as novelas, como alento.
Fidel já nos tirou tudo. Tomara que nos deixe as novelas brasileiras'. Antes
da partida, José exige que eu me comprometa a ter coragem de, ao chegar ao
Brasil, contar a verdade que me ensinaram: em Cuba só
há 'rumvoltados'.
E, ainda, existem brasileiros que defendem isso e
querem e desejam isso, para o Brasil!
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Encaminhado por quem gosta de degustar uma Cuba Libre Mister JUMM
 

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