RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

terça-feira, 29 de abril de 2014

O ÚLTIMO RESGATE


Por: Nonato Silva (*)
Após 41 dias desde o desaparecimento (18/03) do avião da Jotan, foi encerrada no final da tarde de ontem (28), a missão de resgate dos 5 ocupantes do bimotor. 
Por volta das 9 horas da manhã de ontem (28), eu Nonato Silva (Defesa Civil) e mais 17 pessoas, sendo 2 homens do resgate da FAB, 4 bombeiros comandados pelo Major Tito e 11 voluntários, deslocamo-nos rumo ao local onde chegamos por volta das 11 horas. O trajeto pela Transamazônica cerca de 28 km sentido Jacareacanga/Itaituba foi fácil, já os 13 quilômetros no ramal São Sebastião foi mais difícil. A pesar de serem traçadas, foi preciso acorrentar as caminhonetes. Para chegarmos até à clareira onde está à aeronave percorremos em uma vereda cerda de 800 metros.

No local foi aberta uma clareira de cerca de 100 x 100 metros, onde foi construído de toros de açaí uma base para um pequeno heliporto de onde foram içados os 5 corpos.
O local onde a aeronave caiu é de difícil acesso, localizado à margem de um açaizal, por onde escorre uma pequena grota. O terreno é bastante encharcado e sem sustentação, o que fez com que a aeronave ao se chocar com o solo sumisse cerca de dois metros chão à dentro.
O resgate dos corpos de Luiz Feltrin e Ari Lima durou cerca de 5 horas de trabalho. O resgate dos dois últimos ocupantes da aeronave só foi possível graças à ajuda de um empresário que enviou uma PC para ajudar na remoção da lama.

Graças a Deus e ao senhor que localizou a aeronave, os cinco ocupantes do Baron tiveram um sepultamento digno e receberam as honras de familiares e amigos.
Em nome de todos os voluntários, agradecemos o apoio de todos aqueles que em preces intercederam por nós, bem como os empresários que doaram botas, facões, alimentos e até roupas. 

Nesses 41 dias, ficou uma lição de vida, onde o companheirismo e a solidariedade foram a força que nos impulsionou a cada incursão nas buscas. Valeu à pena cada gota de suor derramado, cada pernoite na mata e cada perigo que vivenciamos. O meu respeito e homenagem às cinco vidas que se foram nesse grave acidente. Deus seja louvado. Mais uma vez digo, VALEU À PENA.

 (*)

  • Membro da Defesa Civil de Jacareacanga
  • Coordenador de Comunicação Social do Governo Municipal
  • Repórter fotográfico
  • Voluntário nas buscas.                                                                                                                                               Texto e imagens/Nonato Silva


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