RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Moradores queimam prédios públicos em protesto no sul do AM

Grupo da cidade de Humaitá incendiou prédios, carros e um barco após o
 desaparecimento de três pessoas. Eles culpam indígenas pelo sumiço.
Um grupo de moradores da cidade de Humaitá, no sul do Amazonas, incendiou prédios públicos, carros e um barco, na noite de quarta-feira (25). Foi o auge de um clima de tensão que tem se agravado desde o início do mês.
A cidade de Humaitá fica a 700 quilômetros de Manaus. No dia 2de dezembro, o cacique Ivan Tenharim foi encontrado atropelado na Rodovia Transamazônica. Ele morreu no hospital no dia seguinte. Os índios dizem que ele foi atropelado. A polícia afirma que Ivan estava embriagado e caiu na estrada.
Quase duas semanas depois, três moradores da cidade desapareceram quando passavam de carro num pedágio, perto da aldeia indígena Tenharim. Os moradores acusam os índios de sequestro.
“Temos cinco testemunhas que viram o carro, logo após o sumiço dessas pessoas, viram indígenas empurrando um carro preto, onde estavam essas pessoas, para a margem da rodovia”, afirma Carlos Manuel Gaya, superintendente da Polícia Federal.
Amigos e parentes dos desaparecidos exigem que a polícia procure por eles na aldeia. E, na noite de quarta-feira (25), atearam fogo nos prédios da Funai e da Funasa.
Também foram queimados 13 carros da Funai, três motos e um barco que era usado para levar mantimentos pra aldeia Tenharim. Um prejuízo de mais de R$ 2 milhões.
Por causa do clima de tensão que tomou conta da cidade, os índios que estavam em Humaitáforam levados pro Batalhão do Exército pra garantir a integridade física deles. Já que, de acordo com a polícia, eles correm o risco de serem agredidos pelos manifestantes.
“A Funai acorreu ao batalhão e solicitou a ação do Exército para proteger a integridade desses indígenas”, disse Márcio Antonio do Prado, Coronel do Exército.
Ao todo 146 índios estão refugiados no batalhão. Eles negam que tenham sequestrado os três moradores.
“Estão culpando a nós, inocentemente, isso dói muito para nós”, declarou Rosinho Tenharim, líder da aldeia Tenharim.
A Superintendência da Polícia Federal em Rondônia diz que não tem pessoal suficiente para fazer as buscas dos três moradores na reserva indígena. Uma força-tarefa com Polícia Federal, Exército e Aeronáutica está sendo montada, para procurar os desaparecidos. E tentar restabelecer a paz na região.

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