RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ITAITUBA, PROSPERIDADE SEM LIMITES

Armando Mendonça

A nossa cidade teve como marco o lugarejo chamado Itaituba, cuja existência conta desde 1912, alavancando o progresso com a exploração e o comércio de especiarias no Alto Tapajós. O registro histórico da época assinalava que Itaituba era o centro de atividade comercial. Sua criação ocorreu no dia 15 de dezembro de 1856 pela Lei estadual n° 290, e instalando em 3 de novembro de 1857.

Itaituba, cidade longínqua, distando 889,36km em linha reta, 1381 km via estrada para Belém, capital do estado do Pará. Outrora de difícil acesso, longe de tudo, esquecida pelo poder público. Seus habitantes estão cansados do abandono e do desprezo que até hoje perdura. A falta de sensibilidade e o desrespeito com o seu povo pelo poder público, é uma máxima que não cai de moda.

Na década de 70, em plena ditadura, a população itaitubense resolveu por livre e espontânea pressão, apoiar a proposta do governo federal em fortalecer suas bases militares, construiu o Quartel do 53° BIS, inaugurando a abertura da estrada transamazônica, construindo o cais de arrimo, obra obrigatória a todos os municípios de área de segurança nacional. Cheguei a percorrer todo o percurso do trecho entre Itaituba e Altamira, que contava apenas 3 km. Para mim era um sonho que estávamos realizando. Vivenciamos as mudanças conturbadas vindas com o “progresso”. Ainda na década de 70, o governo federal, já com a obra avançada, resolve colonizar todo o trecho entre Itaituba e Altamira, para nós uma novidade. Presenciei os pousos e decolagens de aviões considerados de grande porte com os colonos que vinham de vários estados, com o objetivo de colonizar toda a extensão da transamazônica. Aviões como o avro da Varig, eletra da varig, caravelle da cruzeiro do sul, samurai da Vasp, boeing da Transbrasil, aviões búfalos e hércules da FAB, hirondelle da Paraense. Todos esses aviões pousavam no Miritituba, cuja pista já havia sido asfaltada para receber esses aviões. Lembro com tristeza, porque não tínhamos a leitura do momento político, “o momento alegre” que acompanhei correndo ao lado do carro do Presidente Médici, juntamente com o amigo Donga, que morava na residência do Sr. Vivaldo Gaspar. Chegamos juntos ao aeroporto de Itaituba. “Pura inocência de jovens desinformados”.


O meio de transporte fluvial em Itaituba no seu advento era servido por navios de grande porte das empresas Enasa e Jonasa. Cito alguns que me veem à memória como: Lobodalmada, 3 de outubro, Tavares Bastos, Lauro Sodré, as saudosas chatinhas Imediato Carepa, Plácido de Castro. Eram navios que apresentavam algum conforto em seus camarotes. A garotada, fazia a festa com a venda de limão por troca de produtos alimentícios.

Fazendo um comparativo das embarcações do passado com as embarcações de hoje, percebe-se claramente falta de investimento no meio de transporte fluvial. Em julho deste ano, repeti a peripécia de anos atrás, viajando de navio para Santarém, depois embarquei para Itaituba. Foram 4 (quatro) dias de viagem. Achava que não iria chegar. Ainda mais, que para mim, as paisagens não eram novidade, por eu ter nascido em Itaituba, região do tapajós.

Um pouco da história que elegi para homenagear a cidade de Itaituba, a cidade que mais amo e que pelas circunstâncias da vida, fui obrigado a trilhar outros caminhos em outro lugar. Itaituba, é a cidade onde recarrego as baterias para enfrentar os problemas cotidianos.

Parabéns ao povo de Itaituba por acolher com simpatia, povos das regiões mais longínquas. Parabéns por não alimentar o pensamento sectário, arcaico e desnecessário.

VIVA ITAITUBA!

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