RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Dia de vergonha em Belém, Santarém, Ananindeua e em todo o Pará

O que todos sabemos porque vemos todos os dias, agora está sendo dito para todo o Brasil e o mundo: quase toda a população do Pará vive dentro da imundície, em bairros infectos, cheios de doenças que lotam os hospitais com pessoas portadoras de doenças sociais. Doenças que não ocorreriam se houvesse saneamento nas cidades. Não há água tratada, não há esgotos, fezes se espalham pelas periferias, as ruas são lamacentas e o lixo se espalha por todo canto. A causa disso tudo? Irresponsabilidade contemporânea e histórica das elites governantes que se refestelam nos restaurantes de Miami, nas boates de Paris e nos Pubs londrinos, sem a menor vergonha das cidades e do país onde vivem e exploram os pobres deixados na lama. 

Foto: MDutra
BELÉM: BAIRRO DA TERRA FIRME
Pelo menos umas 500 vezes este blog já publicou que o Pará pode construir mais 100 ou 200 prontos socorros a mais e as filas nesses hospitais serão sempre maiores, os corredores lotados de doentes, reclamações diárias. O grosso das doenças neste estado tem origem social, bastando observar as baixadas imundas de Belém (as favelas locais), as ruas centrais e periféricas de Santarém e todo o território do município de Ananindeua. Vendo essas situações percebe-se cristalinamente a origem das doenças de massa que entopem os hospitais públicos e privados. O doente toma um remédio e retorna para a sua casa sem água tratada, as ruas enlameadas, detritos espalhados nos bairros. E volta para o médico com diarreia, doenças da pele, hepatite, etc.
Foto: Blog Salva Santarém
SANTARÉM: ORLA DO TAPAJÓS, AO LADO DO CALÇADÃO, CENTRO A CIDADE
A primeira coisa que um povo demonstra, quando se quer desenvolvido e civilizado, é a higiene pública. A saúde pública não começa dentro de prontos socorros e hospitais, mas no dia a dia das famílias e da sociedade. Entre nós existe a cultura de só tratar as doenças, mas não se trata da saúde. A doença, aliás, é fonte de enriquecimento de setores médicos formados para isso mesmo, apenas ver doença, e não a preservação da saúde pública.
Exemplo da irresponsabilidade das elites governantes: o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, quer comprar hospital Porto Dias por 100 milhões de reais para dele fazer um pronto socorro. Com esse dinheiro daria para sanear os bairros mais miseráveis da capital, tornando menores as filas nos hospitais.
A seguir, notícia publicada hoje no Diário do Pará:
O Estado do Pará tem três municípios entre os piores do Brasil no levantamento do Instituto Terra Brasil sobre os 100 municípios com melhores condições de saneamento básico: Belém, Santarém e Ananindeua.

O estudo, desenvolvido pela entidade desde 2007, foi elaborado em parceria com a consultoria especializada GO Associados e se baseia principalmente em dados de 2011 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), do Ministério das Cidades.

A Companhia de Saneamento do Estado do Pará (Cosanpa) responde pelos serviços de saneamento básico dos três municípios paraenses posicionados entre os últimos na pesquisa do Instituto Terra Brasil, divulgada ontem, baseando-se em indicadores como atendimento total de água, investimentos feitos no ano, receita do município, ligações que faltam para a universalização e perda de água, considerando roubo, desperdício e vazamentos.

Ananindeua, localizado na Região Metropolitana de Belém, ostenta o último lugar da lista, com o pior índice nacional em saneamento básico. Santarém é o penúltimo, em 99º lugar, e Belém está na 96ª posição do ranking. Todos têm em comum o fato de que a Cosanpa, órgão estadual, responde pelos serviços de saneamento básico. Somente na capital, a companhia divide a responsabilidade com a Saaeb.

Nenhum comentário: