RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quase 9 milhões de amazônidas são transportados como gado pelos rios

O transporte fluvial misto (passageiros e cargas) na Amazônia movimenta 8,9 milhões de passageiros e cerca de 4,5 milhões de toneladas de carga por ano. Mesmo assim, os investimentos na região privilegiam a construção de estradas que ficam inacabadas, como as principais delas, a Transamazônica e Santarém-Cuiabá. E ainda houve investimento na Perimetral Norte, que nunca terminou. Na cidade de Santarém, por exemplo, existe uma estação rodoviária há 35 anos, mas até hoje o município não conta com um terminal fluvial, a despeito de sua economia ser movimentada basicamente pelos rios. Essa é a regra em toda a região, a começar das duas maiores cidades, Belém e Manaus. As condições de transporte de milhões de pessoas pelos rios amazônicos se equivale a transporte de gado, tamanho é o desconforto, a falta de higiene dentro das embarcações e a superlotação.

Fotos: M. Dutra (arquivo)
Assim é o movimento diário ao longo de quase 3 km da orla do Tapajós, em frente à cidade de Santarém
É dessa maneira que fica o terminal de ônibus o dia quase todo. Pouquíssimas linhas e investimento rodoviário
Os passageiros em geral ganham até três salários mínimos e grande parte da carga compõe-se de gêneros de primeira necessidade levados para as feias das cidades, especialmente as ribeirinhas. Por aí se percebe que os investimentos na Amazônia obedecem a velha lógica colonial, isto é, são feitos para gerar riqueza para fora, como as hidrelétricas, a mineração industrial e as rodovias.

Relatório da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que está sendo apresentado em Belém hoje, mostra o baixo padrão de atendimento aos passageiros das vias fluviais na Amazônia, defendendo a concessão de subsídios e subvenções do Estado para o modal de transporte, sem os quais "é impossível qualquer empresário suportar os investimentos em tecnologias mais modernas entre centros populacionais de baixa aglomeração e baixa renda".
Barcos que fazem linha para os diversos municípios, incluindo Belém e Manaus. Cargas sobre as calçadas e passageiros fazendo o que podem para embarcar e desembarcar 
Segundo o documento, além do baixo nível de atendimento aos passageiros nos terminais, as embarcações que realizam esse transporte apresentam recorrentes problemas de conforto, higiene e segurança. Além disso, os barcos possuem idade avançada e navegam com tecnologias ultrapassadas. LEIA MAIS

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