RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O DILEMA DE CELSO MELLO

 Sinto compaixão pelo ministro Celso de Mello, que dará o voto final no processo do Mensalão. Respeito-o profundamente por seu notável saber jurídico, sua serenidade e suas profundas convicções democráticas. Durante o julgamento ele foi um dos juízes mais severos com os mensaleiros. A questão é: na segunda sessão da ação penal, no ano passado, ele pronunciou-se em plenário a favor dos embargos infringentes. Fez isso a fim de evitar que o processo se desmembrasse, como queriam os advogados dos réus, para que esses pudessem se livrar do rigor do Supremo. Agora ele vive um drama. Se vota contra os embargos infringentes contradiz o que disse antes e será acusado de incoerente e coisas piores. Se vota a favor da admissão dos embargos, passará para a História como o magistrado que livrou a cara dos bandidos que tão duramente sentenciou e, ainda pior, melou o julgamento que inundou de orgulho e esperanças o povo brasileiro. Sei muito bem que um juiz deve votar apenas de acordo com a sua consciência e segundo a lei. Pois bem. Ministro Celso de Mello. Sua consciência é clara e soberana. A obscuridade é das leis que regem a matéria, e não sua. Prova disso é o próprio resultado da votação até aqui. Além disso, muitos mudaram seus votos ou detalhes deles ao longo das sessões. Não vejo porque agora, diante de circunstâncias tão dramáticas, o ministro Celso de Mello não possa fazer o mesmo - se sua consciência impeli-lo nessa direção. Acho mil vezes preferível passar para a História como o homem que livrou o Brasil de se transformar numa república clepto-sindicalista, punindo severamente os que acalentavam tais planos, do que como um magistrado coerente que, após encher os cidadãos de esperanças num futuro melhor para si e seus filhos, tomou-as de volta no último instante. Não creio que o ministro Celso de Mello incorrerá nesse erro. Que, mais do que nunca, Deus ilumine esse seu voto.
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Encaminhado pelo taciturno Mister JUMM

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