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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Câmara cria o primeiro deputado presidiário do Brasil

Congresso 

Natan Donadon, o primeiro parlamentar a cumprir pena de prisão desde a redemocratização do país, não perdeu o mandato de deputado; ele foi salvo em votação secreta na noite dessa quarta-feira; o presidente da Casa Henrique Alves afastou Donadon e convocou o suplente Amir Lando

29/08/2013 - 01:00
À vontade, Donadon 'brinca' na Câmara

Deputado condenado por peculato chega à Casa de camburão, queixa-se aos colegas por ser um preso comum, pede uma comida melhor na cadeia e agradece a Deus (?) pela manutenção do mandato

Gabriel Castro, de Brasília
O deputado Natan Donadon (sem partido/RO) (e), acompanhado do advogado Gilson Cesar Stephanes e do deputado Sergio Moraes, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta quarta-feira (28), dia de sessão que analisará o pedido de sua cassação
O deputado Natan Donadon (sem partido/RO) (e), acompanhado do advogado Gilson Cesar Stephanes e do deputado Sergio Moraes, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta quarta-feira (28), dia de sessão que analisará o pedido de sua cassação (ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO)
Natan Donadon (sem partido - RO) esteve tão à vontade na Câmara dos Deputados que, enquanto aguardava o fim do prazo da votação, que durou mais de três horas, pediu a palavra para dar um recado em nome de seus colegas de prisão: "A comida lá é muito ruim". 
Donadon, que teve autorização judicial para comparecer à Câmara, chegou à Casa de camburão, algemado – e escondido da imprensa. No dia em que completava dois meses de encarceramento no presídio da Papuda, ele adentrou o plenário de terno, usando o broche de deputado, como qualquer outro detentor de mandato. Foi cumprimentado por alguns colegas. Entre eles, Sérgio Morais (PTB-RS), aquele que certa vez disse estar "se lixando" para a opinião pública, e Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB. Mas a dupla mais próxima ao presidiário era formada por Nilton Capixaba (PTB-RO) e Marcos Rogério (PDT-RO).
Pouco antes do anúncio do resultado final, Rogério dizia a Donadon que o resultado deveria ser favorável ao colega. A avaliação do grupo era que a menção aos sofrimentos do cárcere comoveu muitos parlamentares. Em seu discurso de defesa, Donadon tentou apelar à emoção: com voz mansa, contou os sofrimentos que padece na cadeia. Revelou que a água - fria - do banho acabou quando ele estava ensaboado, preparando-se para ir à sessão da Câmara. O deputado teve, então, de pedir que um colega de cela cedesse algumas garrafas de água que armazenava.
"No presídio sou tratado como um preso qualquer, um preso comum. É muito difícil para mim estar passando por essa situação", queixou-se Donadon. "Eu saí de lá para vir aqui porque eu vim para dizer a verdade. Senão eu não viria", completou o deputado presidiário.

Sentença - O deputado foi condenado por integrar uma quadrilha que desviou oito milhões de reais da Assembleia Legislativa de Rondônia por meio de contratos de publicidade. O STF concluiu que o parlamentar ordenou pagamentos por serviços que nunca foram prestados.
"Nunca fiz nada de ilícito. Nunca desviei um centavo da Assembleia Legislativa do estado de Rondônia. Os pagamentos que eu fiz lá na assembleia, tinha comissão de recebimento de serviços que atesava as notas fiscais", afirmou. "Eu não seria louco para assinar pagamentos sem documentos". O plenário recebeu com frieza os argumentos do deputado, que sempre foi um coadjuvante. 
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