quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

RESPOSTA AO QUESTIONAMENTO DO JORNALISTA NAZARENO SANTOS

O Jornalista NAZARENO SANTOS  (foto) tambem leitor deste espaço eletronico  fez o seguinte questionamento sobre a materia postada no RP sob o titulo "SAÚDE INDÍGENA MUNDURUKU: DESCASO E HUMILHAÇÃO":
wALTER Você QUE É DO RAMO ENTENDE BEM DA QUESTÃO, ME tire uma dúvida. O problema que aflige os Mundurukus (que já é bem antigo) é político ou técnico? Por exemplo aqui em Itaituba os próprios indios colocaram também um indigena a frente do orgão e as reclamações continuam??? Será que isso algum dia vai ter solução?. O que acaba com a Funai é realmente a corrupção ou ela não tem mesmo verba?
Nazareno Santos
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Carissimo Nazareno
Em resposta ao seu questionamento sobre a relação Funai/Indigenas, eu seria imprudente em versar comentários sobre essa relação em outras Coordenações (Antigas administrações regionais) já que na verdade pouco ou quase nada conheço de suas  funcionalidades. Conheço com suficiência a relação entre a Funai de Itaituba e os indígenas propriamente os Munduruku habitantes tradicionais do alto Tapajós. Sobre a Instituição de apoio aos indígenas (Funai) mesmo a corrupção sendo endêmica no Brasil, e no serviço publico não me ocorre conhecer essa pratica nessa instituição e sequer noticia-se isso, e nem mesmo comentários  o que na verdade ocorre é a falta de compromisso, falta de identificação com o trabalho por parte de alguns dirigentes que detém a atribuição de promover uma relação de proteção  aos indígenas e liderar com desenvoltura o grupo indigenista colocado à disposição da Unidade de Trabalho Indigenista que dirige.
Considerando sua pertinente indagação e em respeito a sua capacidade de discernir a verdade dos fatos, como já mencionei, não procurarei generalizar a situação caótica vivenciada pelos indígenas e longe da visão da Funai de Itaituba, mas é necessário e imperioso mostrar uma justificativa para o que se torna obvio na relação Funai Itaituba/Munduruku, já que dezenas e mais dezenas de índios  estão vivendo nos alojamentos da Funai  e na Casai, sem alimentação suficiente e em consequência ficam perambulando pelas vias publicas da cidade, muitas vezes catando  lixos, despertando piedade, e vendendo suas dignidades para políticos com interesses escusos. A OMS recomenda  cinco a seis  refeições diárias para o ser humano, e sugiro ao caríssimo confrade que visite os alojamentos  da Funai e constatará a economicidade de alimentos para não se dizer a absoluta escassez, para os assistidos da Funai de Itaituba. É fácil pressupor que para os indígenas em convalescência na Casa do Indio (CASAI) mesmo a mesa não sendo farta, a coisa é um pouco mais diferente que no depósito humano chamado de alojamentos da Funai.
Muitas vezes quando não dá para suportar o abandono a qual são submetidos, os índios apelam para uma ONG que atua na Terra Indígena Sai Cinza  comandada pelos BIERI (Harold e Marcia) e para o escritório da representação da Prefeitura de Jacareacanga,  que suprem no que podem as necessidades de alimentação dos indígenas. Por falar em Jacareacanga, algo se não for feito pela direção do  Distrito de Saúde Indígena (DSEI) a situação irá complicar, já  que a escassez de alimento na CASAI virou rotina e algumas lideranças ensaiam adotar postura radical contra essa omissão.
Como é de seu conhecimento um indígena esteve coordenando a Funai de Itaituba, e isso ocorreu por indicação dos próprios parentes que em assembleia geral oficiaram a Brasília para  nomeação; sonhavam os Munduruku que um índio Coordenando os trabalhos indigenistas, teria mais disposição para prover melhor assistência e orientação à coletividade silvícola por ser oriundo dessa legião de necessitados. Ledo engano! Contrataram um bom moço, com nível universitário, mas faltava-lhe noções de administração, ruiu de vez sua administração. Fato é que pagou um ônus muito caro por ter limitação de conhecimento administrativo e ter que conviver funcionalmente com uma assessora que na verdade queria os despojos da guerra indigenista somente para si. Por algum tempo imaginei que tanto o Coordenador Indígena  quanto sua assessora  fariam um exuberante trabalho já que a assessora era egressa de muitas lutas do movimento indigenista. Também foi um engano, enquanto o Coordenador confundia-se com noções básicas  de administração; confessam próprios colegas de trabalho, a assessora confundia-se no gerenciamento indigenista, colocando índio contra índio, servidores contra servidores, esses contra aqueles, quebrando qualquer forma de parceria com instituições afins. Ressentiu-se disso a Prefeitura de Jacareacanga já que o braço estendido para parcerias que fez com a Funai e outras instituições não recebeu apoio  ou ressonância. Ao invés da assessora desenvolver seu trabalho especifico, ficou fazendo devassa na vida de ex-servidores com o fito penso eu de se perpetuar em seu espaço funcional  construindo sua zona de conforto funcional. O trabalho inócuo do Coordenador e improdutivo da assessora fez com que os indígenas solicitassem de Brasília a exoneração dos mesmos, coisa que ocorreu no final do ano passado. Perderam os Munduruku a oportunidade de contar por muito tempo com um parente dirigindo a FUNAI de Itaituba.
Sobre parcerias que a FUNAI deveria celebrar e não o fez relaciona-se algumas instituições entre as quais a Prefeitura  de Jacareacanga, a Ong Missão Batista, e até  a Prefeitura de Itaituba, já que ocorreu interesse da Administração Valmir Climaco vez que na sede do município existem nos dois extremos da cidade margeando o Rio Tapajós  duas Aldeias Indígenas. A FUNAI não atendeu ao chamamento por questão de posição politica comentam próprios servidores.
Talvez surjam perguntas o que a FUNAI tem a ver com a promoção de saúde indígena se essa está afeta a antiga FUNASA. Ai surge uma resposta para preencher esse questionamento: A FUNAI tem o dever constitucional de promover apoio à coletividade indígena e se não diretamente cuida da promoção de saúde ou outras atividades tem o dever de criar meios para estimular os PARCEIROS a zelar por seus compromissos assumidos com os indígenas. O Ministério Publico Federal, guardião da legalidade sempre foi um braço estendido aos Povos Indígenas, e uma pergunta impertinente surge: O Porquê da Funai através do MPF não obrigar os parceiros a cumprir suas responsabilidades?

Em tempos idos, quando ampliou-se a Terra Indígena Munduruku de 900 mil para 2 milhões e 300 mil hectares foi retirado do interior da T.I. quase cinco centenas de garimpeiros tido invasores, no presente momento com a inercia da Funai de Itaituba em proteger e fiscalizar o território indígena, os garimpeiros voltaram e até no Rio Kabitutu onde se estabelece o octogenário  cacique Geral Biboy Kabá garimpam seis balsas com mais de trinta garimpeiros. Hoje a porteira está aberta com o beneplácito de caciques, lideranças, políticos indígenas e a contemplação passando ao largo da Funai. A presença dos  garimpeiros concorre para a descaracterização total do povo indígena de sua cultura. É comum enlace de Índias com Brancos que é um atendado à cultura e tradição indígena, a ingestão desenfreada de bebidas alcoólicas o êxodo dos aglomerados indígenas para a cidade e a atividade garimpeira clandestina que é um chamariz para os adolescentes, contribuindo muito para esse desserviço sócio-cultural e para a vida do Povo Indígena.
Caríssimo amigo e confrade Nazareno, em sua concepção a Funai de Itaituba não seria o fiel da balança para tornar a vida do Munduruku mais fácil? A receita é simples, o MPF está logo ali... e é operacional.
Hoje a Funai não se ressente como antes de bons valores, pois tem uma dezena de indigenistas concursados, treinados, capacitados e acumulando experiência e outros cinco  contratados por livre nomeação e já experimentados na atividade de campo, e aptos para desenvolverem metodologia para combater  as mazelas existentes o que falta mesmo agora?!
De forma mais objetiva respondo aos questionamentos informando que os problemas existenciais na Coordenação da Funai em Itaituba parece-me totalmente técnico o que denota que não é insolúvel basta interesse em resolver, e insisto em afirmar que a Funai à nível nacional é uma exceção à onda de corrupção propalada e crônica em algumas instancias do Serviço Publico Federal e sobre  a falta de verbas é um situação relativa, pois a grande responsabilidade hoje da Funai é a proteção às Terras Indígenas que são áreas federalizadas colocadas ao usufruto dos Povos Indígenas e celebrar parcerias com instituições com a finalidade de apoiar a economia tribal. Hoje existe no estado programas de apoio aos indígenas e quilombolas, também nos grandes projetos hidrelétricos em curso no alto Tapajós e norte do Mato Grosso, e ainda no projeto Territorios da Cidadania das áreas de influencia da BR-163, na verdade falta a Funai se mexer um pouco mais.
Sobre a questão das hidrelétricas que estão sendo projetadas para o alto Tapajós a Funai de Itaituba está totalmente fora da discussão com os indígenas ou esteve até à pouco, e deveria estar intermediando conversações com esses e os responsáveis por esses projetos com a intenção de se tirar proveitos econômicos em defesa dos indígenas para compensar possiveis impactos ambientais que poderão sofrer, já que a construção dessas hidrelétricas é condição essencial para combater o déficit energético nacional  e serão construídas à qualquer preço.

1 comentários:

Anônimo disse...

"O maior patrimônio de uma nação é o espírito de luta de seu povo e a maior ameaça para uma nação é a desagregação desse espírito". (George B. Courtelyou)

"O ser humano não pode deixar de cometer erros; é com os erros, que os homens de bom senso aprendem a sabedoria para o futuro". (Plutarco)


Estas duas frases ajudam explicar um pouco os desafios que os Munduruku e Kayapó enfrentam hoje diante da atual gestão do Sr. Márcio Meira, presidente da Funai que no momento se encontra demissionário em decorrência da crise de credibilidade que se instaurou no órgão indigenista por conta dos crimes contra lideranças Guarani em Mato Grosso do Sul, Belo Monte e ultimamente o assassinato de índios isolados no Maranhão.
As lideranças indígenas Munduruku e Kayapó tem que se mobilizar, retomar aquele espírito de luta que os levou em outras ocasiões, por exemplo, garantir o direito ao usufruto sobre suas terras. Uma nação indígena sem este espírito de luta está fadada a sofrer ainda mais.
Quanto ao erro de gestão de um representante da própria etnia Munduruku, se voltarmos no tempo e verificarmos nestes mais de 100 anos de política indigenista oficial, erros muito mais graves foram cometidos contra os povos indígenas como o genocídio completo de etnias que simplesmente lutavam pelo direito à vida e ao usufruto de um espaço em que pudessem interagir com natureza. Pena que as oportunidades sejam raras na esfera da administração pública e por conta deste episódio, certamente outras lideranças indígenas Munduruku ou Kayapó já estarão estigmatizadas como incompetentes para assumir um cargo de gestão regional.
Se houve equívocos de gestão indígena, menos mal que eles sejam cometidos pelos próprios índios e não por representantes de uma sociedade dita civilizada que age calcada na mais valia, num capitalismo intransigente que perdura até hoje nos mais longínquos rincões deste pais, incluindo aí, a Amazônia Legal, eterno berço da exploração desenfreada e irracional desse capitalismo.