RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

domingo, 7 de agosto de 2011

DERCY GONÇALVES NO CÉU

- Porra tá frio aqui em cima.
- O céu não tem temperatura, minha senhora – pondera um porteiro celestial de plantão..
- Não tem o cacête. Tá frio sim senhor – insiste Dercy.
- Prefere o inferno? Lá é mais quentinho!
- Manda tua mãe pra lá. Cadê o Pedro?
- Pedro só atende aos purificados.
- E eu tô suja por acaso? Tô cagada?
- Você primeiro tem que passar pelo purgatório, ajustar umas continhas…
- Não devo nada a viado nenhum.
- Você foi muito sapeca lá por baixo.
- Como é que você sabe? Andava escondido debaixo das minhas saias?
- Dercy, daqui de cima a gente vê tudo.
- Vê porra nenhuma. Vê a pobreza, a violência, meninas de 4 anos sendo estupradas pelos pais, político metendo a mão no dinheiro dos pobres, carinha cheirando até bosta pra ficar doidão? O que vocês vêem? Só me viam?
- Você fala muito palavrão.
- Eu sempre disse que o palavrão estava na cabeça de quem escutava. Palavrão é a fome, a falta de moral destes caras que pensam que o mundo é deles. Esses goelas grandes e seus assessores laranjas, tangerinas e o cacête!
- Está vendo? Outro palavrão.
- Cacête é palavrão, seu porteiro do caralho? Palavrão é a Puta Que o Pariu!
(silêncio por alguns segundos)
- Seja bem vinda Dercy. Sou Pedro. Pode entrar.
- CARAAAAAALHO!!! Não é que eu morri mesmo?!!! E o purgatório????
- Não, pelo purgatório você já passou 101 anos, no Brasil. Venha descansar!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito boa!!!

Caro amigo Tertulino, diante da pancada que o Vasco levou, muitos amigos tentam desabonar minha conduta como torcedor vascaíno que sou; digo a eles que, quando criança, eu era FLAMENGUISTA DOENTE: eu tinha piolhos, lêndias, empinges, caspa, o olho todo remelento, o nariz vivia escorrendo aquele líquido amarelo (catarro) que era limpo com o braço, ficando, depois de seco pelo sol, umas escamas; eu tinha frieiras; a orelha era cheia de cera; atrás da orelha tinha duas empinges; se alguém batesse na minha cabeça, o sangue descia rápido: era tanta ferida na cabeça que moscas já moravam comigo; banho, eu não sabia o que era isso.
Pois bem, depois de tanto tempo sendo flamenguista doente, minha saudosa mãe levou-me a um médico que, quando foi auscultar meu coração, uma medalha em forma de cruz tocou meu corpo e, como por encanto, todos os males que me afligiam sairam do meu corpo. Fiquei sarado e vim a descobrir que aquela cruz se chamava, CRUZ DE MALTA!!!


Norton Sussuarana