RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

NOITE FELIZ

Numa capelinha pobre com almas elevadas como catedrais nasceu o “Stille Nacht” (“Noite Feliz”)

Em 24 de dezembro de 1818, a canção “Stille Nacht” (“Noite Feliz”) foi ouvida pela primeira vez na aldeia de Oberndorf (Áustria). Foi na Missa do Galo na capelinha de São Nicolau.

Estavam presentes o pároco Pe. José Mohr, o músico e compositor Franz Xaver Gruber com seu violão, e o pequeno coro da aldeia. No fim de cada estrofe, o coro repetia os dois últimos versos.

Naquela véspera de Natal nasceu a música que passou a ser como um hino oficial do Natal no mundo todo. Hoje se canta nas capelas dos Andes e no Tibete, ou nas grandes catedrais da Europa.

Há muitas histórias sobre a origem dessa canção. Entretanto, a verdadeira é simples e risonha como a própria canção.

O Pe. Joseph Mohr, jovem sacerdote, compôs a letra em 1816. Ele estava encarregado da igreja rural de Mariapfarr, Áustria. Seus avós moravam perto e ele criou o texto enquanto caminhava para visitar seus avós.

Nenhum evento particular inspirou o Pe. Joseph para escrever a poética canção do nascimento de Jesus. Em 1817 ele foi transferido para Oberndorf.

Na véspera do Natal de 1818 o Pe. Joseph visitou seu amigo, o professor de música Franz Gruber, que morava em um conjugado em cima da escolinha da vizinha aldeia de Arnsdorf. Mostrou-lhe o poema e pediu-lhe uma melodia para a Missa do Galo daquela noite.

Quando aqueles dois homens acompanhados pelo coro cantavam pela vez primeira em pé diante do altarzinho da capela de São Nicolau, o Stille Nacht! Heiligen Nacht! não faziam idéia da repercussão que o fato teria no mundo.

Karl Mauracher, mestre construtor e reparador de órgãos viajou várias vezes a Oberndorf para consertar o órgão. Numa das viagens obteve a partitura e a levou para sua terra. Foi assim, também despretensiosamente, que começou a difusão.

De início, nem tinha nome e era chamada de “canção folclórica tirolesa”.

Duas famílias que viajavam cantando canções populares do vale de Ziller incorporaram a peça a seu repertório e a entoaram em dezembro de 1832 em Leipzig num concerto de música folclórica. A partir de então a difusão progrediu como mancha de azeite.

Por fim, a família Rainer cantou o Stille Nach na presença do imperador da Áustria Francisco I e do czar da Rússia Alexandre I. A canção natalina passou a ser a preferida do rei Frederico Guilherme IV da Prússia.

O Pe. Joseph morreu na cidadezinha de Wagrain, nos Alpes, como pároco. Ele havia doado todos os seus bens para a educação das crianças.

O inspetor escolar de São Johann, num relatório ao bispo, descreve o Pe. Joseph como um amigo dos fiéis, sempre perto dos pobres e um pai protetor. Seu nome foi esquecido por todos até ser recuperado posteriormente.

A família de Franz Xaver Gruber conservou alguns dos humildes móveis do músico e o violão daquela noite abençoada, hoje peça histórica. O túmulo de Franz é decorado com uma árvore de Natal todos os meses de dezembro.

A imagem dos dois co-autores está nos vitrais da capelinha de São Nicolau.

Assim é a riqueza insondável da Fé: faz nascer, no coração dos humildes e despretensiosos, frutos de beleza sublime que os orgulhosos jamais conseguem superar.

Essa é a causa sobrenatural do insondável mistério que transforma a Fé em obra prima por excelência sobre a face da Terra.



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