RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

EU MATEI PEDRO GRIEBELER!

Jacareacanga - Ainda imersos em profunda tristeza e agora saudade, amigos de Pedrão fazendo análise do quão profundo está sendo o prejuízo para o município a perda de tão excelente mestre, em rodadas de lamentações rememoram principalmente os dias em que Pedro teve por sugestão de seus principais amigos fazer uma “reforma” no coração que já queria pregar peças no robusto e querido amigo, a sugestão de seus mais próximos amigos, como Alcides, Walter, Acelio, Diogo, Raimundinho, Elias, Amazonas e outros sintetizava apenas como ecos de recomendação competente de médicos que o analisaram preliminarmente na capital do estado.

Pedro, já internado para exames pré-operatórios em Belém mesmo com seu quadro clínico revelando preocupação e recomendação de cirurgia cardiovascular em caráter de urgência, não se desligava de assuntos de interesse da evolução da construção e apresentação do Pré-edital para a concessão florestal de Creporí e Amana que traria benefícios para sua pátria que o adotou como um ilustre filho: Jacareacanga. Argumentava, orientava, chamava a atenção por telefone de alguns conselheiros do município como fazer o melhor pela região na luta pela garantia de se explorar as riquezas territoriais do município brigando para que o produto florestal fosse industrializado na sede do município, gerando emprego e renda para o alto Tapajós, já que havia insinuação e indícios fortes que haveria interesse do empresariado madeireiro de Itaituba estar defendendo abertamente a idéia de se escoar os produtos do município para Itaituba e revelava não entender o porquê de um produto de Jacareacanga poder produzir riquezas para Itaituba e Jacareacanga ficar na miséria. Nessas comunicações que fazia quase diariamente com seus mais próximos companheiros, mostrava contatos que estava fazendo previamente com investidores para entrarem na corrida pelo processo licitatório para a concessão da exploração florestal.

Em determinados momentos mostrava-se pessimista com relação a seu estado de saúde e a intervenção cirúrgica que sofreria e noutros instantes talvez pensando em um futuro promissor para a região do alto Tapajós por qual lutava constantemente, revigorava-se e dizia que estava preparado para a batalha pela vida e fazia planos para seu retorno às atividades que desenvolvia.

A Viúva, Senhora Maria Griebeler que acompanhava Pedrão, confidenciou em contato telefônico, que antes de adentrar para a sala de cirurgia seu esposo se mostrava esmorecido talvez por sua debilitação física e que teria revelado que fosse “abortado” naquele momento o procedimento cirúrgico e que queria retornar aos seus trabalhos normais em Jacareacanga, enfrentando o desconforto de procurar oxigênio rarefeito mesmo onde era abundante e até caminhar por longo período distancias enormes que distavam poucos metros. Não deu mais! Pedrão, com relativo sucesso foi submetido ao ato, passando por três pontes safena e uma mamária, sucumbiu ao terceiro dia, para a tristeza de um povo que conhecia que seu trabalho era um luz no final do túnel para um pobre município rico, que se empobrece mais com sua partida.

A luta que Pedrão desenvolvia não terá substituto para se dar continuidade, já que ele era um homem profundamente experimentado, tinha vontade e um interesse incomensurável pelo progresso do município de Jacareacanga. Vilson Schuber também um idealista pelo progresso da região e que foi peça importante para a emancipação política de Jacareacanga quando foi Deputado Estadual, sobre Pedro José Griebeler diz: “Um entusiasta do desenvolvimento da região Amazônica, com foco no município de Jacareacanga, passou não muito tempo entre nós aqui no Pará, mas o suficiente para granjear muitos amigos e, o respeito dentro de diversas esferas do governo”, Jerônimo um assessor parlamentar do Deputado Federal Zé Geraldo em Brasilia, referiu-se a perda como se o povo de Jacareacanga tivesse perdido a chave e o segredo de um cofre com conteúdo valiosissimo.

Por seu estado que necessitava de cuidados urgentes, com dificuldades até em se locomover e respirar, os amigos orientaram Pedrão a submeter-se a cuidados médicos, e o ocaso dessa historia todos lamentam. No final de sua vida, apenas três dias antes de seu óbito, Pedrão queria desistir da cirurgia.

Como estaria hoje nosso amigo se não fosse operado? Como estaria se estivesse sido abortada a intervenção? – Muitos amigos que queriam em mais tempo neste plano a presença de Pedrão e seu profícuo trabalho e disposição, sentem-se como se estivessem assassinato o homem que sonhava através da exploração racional dos produtos florestais, apostando na auto-sustentação o progresso desta região. Na verdade às vezes me sinto culpado por ser um dos que o animavam a se submeter ao processo cirúrgico; penso, nas horas de reflexão e tristeza que EU MATEI PEDRO GRIEBELER... também.

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