RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE HIDRELETRICA TELES PIRES É REALIZADA EM JACAREACANGA

Jacareacanga - Com a presença de técnicos do Ibama e da Empresa de Pesquisas Energética, e ainda contando com uma assistência de cerca de três centenas de pessoas, incluindo índios da etnia Munduruku, realizou-se neste dia (23) a audiência publica para análise do Relatório de Impacto Ambiental para construção da Hidrelétrica de Teles Pires, que está localizada no município de Paranaíta/MT. 84% de sua expansão projetada encontra-se em território Matogrossense e o resto 16% no município de Jacareacanga.

Mesmo, os técnicos descerrando comentários sobre o baixo impacto ambiental que deverá ocorrer nas Terras Indígenas Munduruku, Sai Cinza e Kayabi, os indígenas Munduruku que participaram ativamente das discussões não ficaram satisfeitos com o que viram, já que não se mostraram alternativa alguma para as mudanças ambientais, como migrações da fauna, extinção de vidas aquaticas que poderão ocorrer na região trazendo prejuízos à sobrevivência dos indígenas que necessitam ainda dessa riqueza natural para sua dieta alimentar.

Na verdade mesmo ocorrendo presença de dois funcionários da Funai Brasilia, os Munduruku se ressentiram de falta de orientações de quem é baseado na região, como da equipe de trabalho do Coordenador Regional da Funai de Itaituba que não se apresentou e ainda a ausencia dos próprios vereadores indígenas que se colocaram avesso à discussão prévia com os indigenas. O Cacique Geral Biboy e o Capitão João Tomé Akay   (foto), demonstrando insatisfação com a falta de alguém para orientá-los na discussão, disseram que a Funai de Itaituba não tem mais importância alguma para seu povo, já que até nesses momentos mostra-se ausente.
Mesmo predominantemente o raio de funcionamento projetado para a Usina Teles Pires estar situado a mais de 300 km da Barra de São Manuel (Coração da terra Indígena Munduruku) é fato que deverá ocorrer sérias mudanças na população de pescado e caças, e ainda na geografia de parte da Terra Indígena Munduruku e Kayabi, e todo esse prejuízo deverá ser compensado de uma forma ou de outra para diminuir o prejuízo que com certeza o povo indígena do alto Tapajós terá. Quem fará essa compensação?

Fato curioso é que mesmo mexendo na vida dos indígenas, o produto final da hidrelétrica que é a energia elétrica, não beneficiará os índios, que continuarão às escuras sem terem oportunidade de terem em suas casas luz elétrica, energia para movimentar motores para a fabricação de farinha ou suprir outras necessidades, pois segundo o EIA/RIMA, a energia produzida será direcionada para se conectar ao Sistema Integrado Nacional e que levará a energia da Usina diretamente para o centro oeste até Goiânia ou Brasília.

É fácil pressupor, por conseguinte que a vida dos Munduruku continuará às escuras, sem poder se enxergar uma luz no final do túnel para a vida desses seres que também são filhos de Deus, e que por terem nascido com uma cultura diferente, terem cor diferente  serve para  serem  sempre dominados.
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Foto encontrada na WEB

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