RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

FUNAI ITAITUBA SOB NOVA DIREÇÃO

Jacareacanga - Depois de muita especulação sobre o nome do Administrador Regional da Funai, eis que surge o nome, através de uma decisão exarada em ATA na ultima Assembléia Geral do Povo Munduruku trata-se de Ademir Kabá, de origem Munduruku; que ainda em tenra idade foi morar na casa de um tio em Benevides e Belém onde estudou e se aperfeiçoou aos costumes da sociedade envolvente sem contudo perder os laços culturais e costumes indígena. O novo administrador Regional, é formado em sociologia, e aceitou o desafio em dirigir a Funai de Itaituba que deverá  transferir para Jacareacanga; sendo o primeiro indígena a gerenciar o Organismo Federal Indigenista na região, e crê em unir forças com o Prefeito Municipal Raulien Queiróz, para que as duas instituições criem decididamente meios para suprir as principais necessidades da população indígena do Alto Tapajós.

De inicio será criado em Jacareacanga, até a transferência da Unidade da Funai de Itaituba para esta cidade, um núcleo de atendimento aos indígenas, que deverá ser comandado por Ivânio de Alencar Nogueira (foto) que já trabalhou na Funai, como Chefe dos Postos Indígenas Munduruku, Sai Cinza e Rio das Tropas, onde destacou-se como um servidor voluntarioso e decidido em defesa dos direitos indígenas, contribuindo para a retirada de invasores da Terra Indígena  e a demarcação de todo o território. O convite para Ivânio voltar a trabalhar com os Munduruku, foi uma iniciativa das próprias lideranças que com o novo administrador, recomendaram sua contratação à Brasília.


Ademir Kabá já se encontra em Jacareacanga onde  prestou  assessoria administrativa ao Vice Prefeito Roberto Krixi, e deverá retornar a Belém para proceder  sua mudança para Itaituba. Sua responsabilidade à frente do Órgão indigenista é de reformular a funcionalidade da Administração Regional com a substituição dos Chefes de Postos que estão sendo considerados pelos Munduruku como inservíveis e sem ação indigenista.

Torna-se oportuno alertar as lideranças indigenas, que a inércia que vêem  nos chefes de Postos deve-se exclusivamente a  situação precária por qual passa a Funai que sequer tem recursos para suprir a funcionalidade do órgão com combustíveis; e como os Postos Indígenas são situados às margens do Tapajós e seus tributários, todo  percurso é feito através de embarcações fluviais acopladas com motores de popa e que muitos desses Postos distanciam-se de Jacareacanga por dois dias de viagem e umas das necessidades dos Chefes de Postos para executarem suas responsabilidades é sem dúvida o combustível . Além disso, concorre para a difícil situação dos indígenas além da falência da Funai, a inserção de vícios maléficos da política partidária que tratava de forma assistencialista/clientelista o Povo Munduruku, principalmente algumas lideranças, que sempre recebiam mimos e preferências de alguns políticos para comporem e fortalecerem a estrutura de currais eleitorais. Era comum até o ocaso do assistencialismo  do governo municipal anterior, agrupamento considerável de indígenas à porta da casa do prefeito recebendo migalhas. Enquanto apoios individuais eram generosamente distribuídos aos indígenas, como gasolina, refrigerantes, fumos, galetos; a verdadeira, imperiosa e necessária assistência devida, não chegava às aldeias, criando em conseqüência  uma legião de desassistidos. Para citar exemplo, enquanto outras etnias da   Amazônia coletam a castanha-do-pará e depois de industrializada e transformada em óleo é vendida para a Europa e Oriente para as indústrias cosmética e farmacêutica, o Munduruku ainda coleta a castanha para consumo e o pouco excedente praticado vende no comercio de Jacareacanga e Itaituba por preço irrisório.

Conversando com o  Secretário de Agricultura Beto Strapassom sobre o aproveitamento da castanha-do-pará o mesmo disse que está implementando providencias em sua secretaria para funcionar uma usina de transformação da castanha em óleo na Missão Cururu para aproveitar o potencial dos castanhais localizado próximo aos aldeamentos do Kaburuá no campo.

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