RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

FUNAI DE ITAITUBA MASSACRA POVO MUNDURUKU

NOMEAÇÃO DO ADMINISTRADOR  SERIA O CONTINUISMO DA ACOMODAÇÃO?
Itaituba - Não bastasse a precária situação do Organismo Indigenista à nível o Nacional;

-Não bastasse o grande decurso de tempo sem ter sido nomeado o Administrador Regional da Funai em Itaituba;
-Não bastasse o diminuto quadro de servidores na sede e no campo;
-Não bastasse que exista falta de identificação com a causa indígena da maior parte desses funcionários;
-Não bastasse a confusão ocorrida para que o Administrador fosse nomeado;
-Não bastasse a divisão dos indígenas em escolher um nome para administrar a Funai;
-Não bastasse que o Administrador nomeado e empossado no dia 30 de Novembro  proximo passado somente hoje pela manhã, (28/12) apareceu no Escritório Regional da Funai, como diria minha tetravó, sem querer e querendo... Algumas lideranças já começam a inquietar-se quanto a direção que está tomando a Funai permanecendo na mesmice, depois de ter gerado uma expectativa grandiosa no seio da coletividade indígena,  a nomeação  do índio Munduruku Ademir Kabá, que não somente  não  empolga neste inicio seus assistidos ou pelo menos uma parcela considerável dos parentes, e ainda alguns servidores, como parece que a indicação está pesando sobre seus ombros.

ADEMIR KABÁ, é de origem da etnia Munduruku, povo tradicionalmente  guerreiro, habitante do Alto Tapajós, filho de Faustino Kabá, ja bem cedo ainda no decorrer de sua  pré-adolescência mudou-se para a capital do estado, propriamente,  Benevides, para residir com seu tio, Sargento Kabá, militar da reserva da Policia Militar  e que além de fixar residência na casa do tio, teria a oportunidade de estudar; com a força de vontade sempre peculiar ao indígena que deixa sua terra para concorrer com a população envolvente, Ademir  progrediu nos estudos  e formou-se em sociologia; fez desde então que se foi para Belém poucas incursões em sua terra para rever os parentes, não por falta de vontade, mas por necessidade de se aperfeiçoar melhor em sua profissão e a grana deveria ser curta.

Considerando enormes dificuldades em se encontrar uma pessoa com requisitos no entendimento tribal, que reunisse disposição, coragem, seriedade algumas lideranças mesmo não aceitando muito a hipótese da Funai ser dirigida por um índio, resolveram, como diria Walmar kabá experimentar um parente. É fato que os indígenas não confiam muito em ser dirigidos por parentes, por motivos meramente cultural, já que existe uma tendência natural de se estender privilégios, para o clã da pessoa que é dirigente.

SITUAÇÃO DA FUNAI – UM CAOS
É de domínio publico que a Funai/Brasilia  passa por momentos de extrema dificuldade sem ter uma política indigenista gerenciada como deseja a Presidência da República, e já que a proposta do novo estatuto do índio hiberna no congresso Nacional não tem como se dar eficiência nos assuntos atinentes de apoio aos indígenas, que se sentem abandonados pela instituição que os protege.
Toda essa situação da Funai/Brasilia irradia para suas Unidades Descentralizadas uma ação indigenista ineficaz e de abandono que expõe não somente os indígenas em situação vexatória como também  suas Unidades de trabalho indigenista. Muita ja se falou nos corredores de Brasilia na extinção pura e simples da Funai. E os índios???
Se não for mais um dapixi, breve estará havendo um concurso público conforme noticiou o Jornal Nacional, só que no JN a informação é que serão contratados 3 mil servidores entre Tecnicos Indigenista, e servidores de  níveis médio e auxiliar. Há mentira em jogo, pois é sabido dentro da Funai que serão contratados apenas 425 servidores. Sabem quantos virão para trabalhar com os Munduruku? Nenhum! O pessoal de Brasilia sempre assediados por Fulni-ô, Kaiapó, Guajajara,  cederão às pressões da cacicada e políticos e deixarão para apoiar essas etnias e a metade ficará mesmo em Brasília por tráfico de politicagens, coçando o conteúdo da tanga.
Todas as Unidades Descentralizadas estão carentes de servidores capacitados na ação indigenista, quase todos são contratados em função de confiança (DAS) sem nemunha fomação e quase todos sem a minima identificação com seu trabalhoe alguns por convênios e nessa cata dessas pessoas muitos são totalmente avesso ao trabalho indigenista, o que deixa a situação mais difícil 

DIVISÃO  ENTRE MUNDURUKU
Para se ter uma idéia da gritante divisão que reina entre os Munduruku, e que com um trabalho eficiente da Funai o povo poderá unir-se outra vez; na mesa do Presidente da Funai constava cinco pedidos para contratação do Administrador da Funai, encaminhado por lideranças e pasmem!.. todos documentos com nomes de pessoas diferentes. Essa avalanche de solicitação foi mostrada pelo proprio presidente quando os indios através do apoio do Dep. Zé Geraldo foram recebido em audiencia  na Funai/ Brasilia.
Mesmo com essa divisão e apostando em um trabalho da Funai para acabar de vez com esse racha, há uma crescente preocupação entre os indígenas políticos de Jacareacanga que estão começando a entender que a divisão os deixa mais fragilizados,  começam a sentir a necessidade de promoverem vez por todas a ordem e harmonia para fazerem face às dificuldades que são muitas. O Vice-Prefeito Roberto Krixi, os Vereadores Hans, Adonias, Gersinho, Rosenildo,  Isaias e o ex-vice prefeito José Krixi, estão esquecendo divergências políticas para salvarem de vez a união inquebrantável dos Caçadores de Cabeça. O próprio Prefeito Raulien Queiróz preocupa-se em demasia com essa situação e que se vê na situação de não interferir e sim deixar que os próprios índios resolvam seus conflitos, ja que a divisão é oriunda da organização social do grupo tribal, e  fala que com uma boa conversa regada a caxiri, eles se acertam, acrescentando que não adianta pariwa’t se meter que pode toldar o iribi e azedar o caxiri.

FUNAI SITIADA
A imprensa acompanhou passo a passo a invasão ocorrida nas dependências da Funai /Itaituba por quase uma centena de silvícolas, que exigiam a presença do Presidente do Órgão para que fosse resolvida a contratação do Administrador, que por algum tempo interinamente ocupava o cargo, o Senhor Jaime Rodrigues dos Santos, que esforçava-se mesmo pedindo para Brasília a nomeação de um titular, no que podia para controlar a crise que já tornava-se insuportável e para completar a forte limitação orçamentária deixava os servidoras à beira do desespero. Como as coisas acontecem somente depois dos índios radicalizarem, as autoridades de Brasília tiveram que descentralizar da dotação orçamentária destinada a apoiar o fomento às atividades produtivas, quase 30 mil reais, para alimentar, transportar e acalmar os insurretos. Finalmente o nome para administrar a Funai/Itaituba, foi encontrado da sugestão exarada em ATA na assembleia Geral ocasião em que foi sugerido o nome de Ademir Kabá.

GRANA BOOMERANG!

Caiu como um bomba entre alguns chefes de Postos e lideranças indígenas comentarios que por falta de interesse que creio que não seja isso e sim, mais falta de estrutura de recursos humanos, um volume considerável de dinheiro para investimento na economia tribal; muito por sinal imperiosamente necessário,;  voltou para Brasilia já que a Funai de Itaituba não fez uso do mesmo em tempo hábil. O pior de tudo e ai reside o ponto nevrálgico da questão, o Administrador Ademir Kabá, depois que foi nomeado, tomou  posse no final de novembro e esquecendo-se que o seu primeiro dia de trabalho seria o dia de sua posse, nada fez mais, além de viajar para Jacareacanga, transitar  pela Terra Indígena visitanto parentes, esquecendo-se de gerenciar a responsabilidade para o qual foi nomeado não dando destino adequado à cada necessidade vertente principalmente o gerenciamento de recursos descentralizados para compras diversas de apoio à coletividade Munduruku. É fato que com a nomeação do novo Administrador, os demais funcionários, não poderiam tomar iniciativa de efetuar a gastança, ao arrepio  ou contra a vontade do administrador, que na verdade seus funcionarios desconhecem sua linha de ação?  uma pergunta urge: -O que pode parecer mais dramático que nomear um sociólogo, homem sério, capaz, mas que não sabe bulhufas de administração pública?

Nesta madrugada precisamente 02h00, recebi uma informação através de uma comunicação anonima que dizia não saber precisar o volume de recursos repatriados para Brasília e que não foram investidos nos Munduruku, e que deixaram de ser comprados combustíveis e lubrificantes, sementes, ferramentas e implementos agrícolas, além de equipamentos como motores de popa , voadeiras etc... No mesmo momento incomodei o Chefe do Serviço de Assistência da Funai através de uma ligação telefônica, Ivanildo Viana, que negou os fatos porém sem reagir com convicção, e somente teceu comentarios sobre o montante de 100 mil reais que estaria sendo empenhado até o dia 30 para a compra de equipamentos e combustíveis e que o prazo seria para empenhar a despesa até o dia 20/12 e que realmente Brasilia confiscou porém deu novo prazo para proceder-se o devido empenho.
Posso até acreditar em Ivanildo, porém como o conheço como um cidadão ético e que presa muito pela harmonia entre os companheiros de trabalho, custo a crer que os Munduruku não entraram pelo cano mesmo, por falta de direcionamento na maquina que está fazendo muito pouco ou quase nada pelos índios.

Hipoteticamente imaginando vamos supor que tenha voltado por pura barbeiragem, do investimento às atividades de produção dos indígenas 500 mil, esse recurso daria para comprar o seguinte:
41 Motores 40 HP ou
83 Motores 15 HP ou
450 Rabetões à gasolina ou
150.000 litros de Gasolina aditivada ou
50 Voadeiras de 12 mts ou
5.000 telefones celular para distribuir entre os indígenas para fazerem ligações pedindo socorro à Brasília ou apelo para fecharem a Funai de Itaituba com urgência. -QUEM VAI PAGAR POR ISSO? 
EM TERRA DE CEGO QUEM TEM UM OLHO É REI ?
A coisa irá se complicar mais um pouco para os tidos “assistidos” pela FUNAI, pois o servidor Ivanildo Viana Rocha, não agüentando a pressão já que é o único que sabe fazer planejamento é o “faz tudo” por la, deve após suas férias em janeiro pedir demissão,  mesmo tendo recebido uma ligação da parte do Vice Prefeito Roberto Crixi manifestando que a população precisa muito de seu trabalho. Ivanildo é quem faz regularmente incursões a Brasília e Belém à procura de recursos. Quem sabe não foi dessa sua busca que conseguiu alguma coisa e foi confiscada por não usarem em tempo hábil. era tambem o responsavel pela aplicação do recurso diretamente na comunidade indigena, porem alguem teria que determinar a Licitação e Contrato (Pregão) e demais trabalhos administrativos subsequentes.
Ivanildo Viana Rocha  trabalha na FUNAI por mais de 11 anos, é historiador e por seu vasto conhecimento indigenista  tem convites para trabalhar em outras instituições de apoio à causa indígena e está alçando vôo mais longo em sua carreira.
IVÂNIO VEM AÍ PARA DURAR ATÉ QUANDO?
É isso mesmo, Ivânio Alencar Nogueira que por mais de 6 anos trabalhou chefiando os Postos Munduruku, Sai Cinza e Rio das Tropas alternadamente, deve ser contratado nos primeiros dias de janeiro para chefiar o núcleo indígena em Jacareacanga. Ivânio destacou-se em seu trabalho, por contribuir sobremaneira na luta dos índios pela posse da terra  se constituindo em um bravo em defesa do povo Munduruku.
Está chegando com a nobre missão de com vontade e perseverança dar uma nova dimensão estrutural no atendimento  aos índios que gravitam em torno de Jacareacanga. Os problemas são imensos, e o que pode colocar em xeque seu ímpeto, será a falta de recursos para gerenciar a crise que assola os indígenas. É mais fácil ter o entendimento que alcançaria êxito em sua difícil missão se a sede da Funai estivesse instalada em Jacareacanga, entretanto pelo que se comenta a Funai continuará  em Itaituba e os assistidos a 400 km.
Uma coisa é certa, enquanto a Funai e seus funcionários não se alinham a coisa fica mais preta para os Caçadores de Cabeças.

Um comentário:

Anônimo disse...

esse negocio de voltar dinheiro não é so ai na Funai, aqui na Funasa isso acontece sempre, é preguiça até dinheiro pra diarias e indenização de campo para viagens é uma frescura, o pessoal que fica fazendo capa de trabalhar cossa o saco e se esquece de seus compromissos, isso é para dizer que nempra roubar prestam, e nós familiares ficamos na merda