RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

MAIS UM GIGANTE NA SEGUNDONA

Queda à Série B mescla comoção e revolta da torcida vascaína

Do porteiro ao presidente, os vascaínos tiveram um domingo para esquecer. A queda à Série B do Brasileiro levou os cruzmaltinos ao fundo do poço, abastecido por lágrimas que começaram a correr nos rostos dos torcedores durante a derrota por 2 a 0 para o Vitória. O resultado selou o capítulo mais triste da história do clube. Muito choro, protestos e a promessa de não abandonar o time marcaram o rebaixamento.

Mesmo com a queda, torcida promete não abandonar time durante disputa da Série B
O resultado selou o capítulo mais triste da história do clube e a torcida mostrou tristeza

Incrédulos, muitos vascaínos não quiseram deixar o estádio após o revés para o Vitória
tarde e a noite em São Januário foram completamente distintas. O estádio foi palco de uma bonita festa e demonstração de apoio até boa parte do duelo com os baianos. No entanto, logo o cenário se transformou. A consumação da queda levou torcedores a brigarem e sofrerem juntos.Quando o Vitória anotou o segundo gol, aos 30min do segundo tempo, alguns torcedores já haviam deixado o estádio. Outros ensaiavam vaias ao time. Mas a maioria preferiu dar uma prova de amor: passou a entoar o hino do clube, ainda que engasgada com a mancha que se abatera sobre a tradição da equipe.

Nas arquibancadas, grandalhões, senhores, mulheres e crianças choravam. E choravam muito. Buscavam explicações e pareciam não acreditar no que presenciavam. No gramado de São Januário, logo após o apito, jornalistas fãs do Vasco sofriam da mesma maneira. Colegas de profissão se abraçavam e até reforçavam laços de amizade. Todos prometiam não recuar o ombro amigo. Um torcedor chamou a atenção ao se pendurar na marquise do estádio e ameaçar se atirar na arquibancada. Foi contido pelos policiais, mas viu que lá embaixo outros vascaínos usavam as bandeiras para improvisar algo que amortecesse a possível queda. Os demais não chegaram a esse extremo, mas também sofreram bastante.

Incrédulos, muitos vascaínos não quiseram deixar o estádio. Ficaram ali, sentados, até o anoitecer. Tentavam consolar uns aos outros, mas sem ir embora de São Januário. Alguns fizeram questão de demonstrar apoio. Apesar do sentimento de tristeza, uma torcedora exibia faixa que pode exemplificar o que ocorrerá com os vascaínos em 2009."Na alegria e na dor, o sentimento não pára", mostrava o pedaço de papel erguido pela vascaína. Mais de duas horas depois do final da partida, um porteiro do clube se derramava em lágrimas. Tomando uma cerveja e comendo um sanduíche, explicou. "O que machuca é saber que meus três filhos estão desesperados, chorando muito. O que é isso, cara, não acredito", desabafou Leonardo Souza.

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