RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

VIOLENCIA NO PARÁ: (terra de direitos?)

Diário do Pará - Quarta-Feira, 05/11/2008, 17:17h
Missionárias querem ajuda do ministro Paulo Vanucchi para esclarecer crimes no Pará
A missionária Rebeca Spires dá entrevista sobre a visita que fez à OAB para entregar documentos sobre a manipulação judicial nos casos de assassinatos no Pará .

Brasília - As missionárias Rebeca Spires e Júlia Depweg estão, em Brasília, para denunciar ao ministro Paulo Vanucchi - títular da Secretaria Especial de Direitos Humanos- atos de violência e assassinatos ocorridos no sul do Pará.

Hoje (5) elas estiveram na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) onde entregaram ao presidente da entidade, Cezar Britto, um relatório com 17 casos de assassinatos ocorridos no Pará que ainda não foram esclarecidos. Elas vão participar, também, da divulgação do documentário “Mataram Dorothy Stang”, onde retrata o último julgamento do fazendeiro, Vitalmiro Bastos de Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária, condenado a 30 anos de prisão em 2007 e absolvido em 2008.
O que aconteceu com Dorothy é apenas um exemplo da violência e da impunidade no Pará", disse Rebeca Spires.Para o presidente da OAB absolvição do acusado de assassinar a irmã Dorothy é um estímulo à impunidade e para que crimes assim continuem acontecendo.

Dorothy trabalhava no Pará, na defesa da Floresta Amazônica e dos agricultores sem terra e integrava o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) no município de Anapu. A missionária é conhecida mundialmente na luta contra o desmatamento e à grilhagem de terras no Brasil.

O objetivo das irmãs, que vivem há mais de 30 anos no Pará e pertencem a mesma congregação de Dorothy, Nossa Senhora de Namur, é levar à sociedade a situação de violência existente no Estado. A exibição do filme e a divulgação do documento, em todo o país, cumprem este papel. “Nossa irmã Dorothy acreditava muito nas instituições brasileiras. Nós aprendemos com ela e queremos desafiá-los a agir”, disse Rebeca.

No documento-denúncia são relatados vários casos de execuções sumárias, massacres, violência sexual, ocorridos no Pará, muitos cometidos pelo próprios agentes de segurança. Os fatos descritos mostram a realidade do campo e da cidade no Pará. Na apresentação do relatório está escrito: “tanto nos crimes de encomenda (que envolvem conflitos de terra) como nos da cidade, que resultam em conflito direto, reina a impunidade”,

Um dos casos relatado é o assassinato do presidente da Associação dos Pequenos e Médios Agricultores de Eldorado dos Carajás e sua esposa Alcina Gomes Barbosa. Segundo o documento, os dois teriam sido mortos a mando de um fazendeiro e um empreiteiro local, devido a uma disputa por terras na região. O processo, atualmente, está suspenso em função do desaparecimento dos acusados do crime.

O filme, dirigido pelo norte-americano, Daniele Junge, recebeu o Prêmio do Público e Grande Prêmio do Júri no Festival South by Southwest 2008. Em Brasília pode ser assistido de hoje (5) até domingo (9), nas salas de cinema da Academia de Tênis, durante o FIC. No Pará só será exibido em janeiro, durante o Fórum Social Mundial. (Agência Brasil)

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