RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

segunda-feira, 19 de maio de 2008

FUMO: PRAZER QUE MATA!


Fumaça de cigarro paira no ar no quarto onde Bryan Lee Curtis agoniza, devido a cancro do pulmão.

veja o que o câncer pode fazer em dois meses

CÂNCER - UM ASSASSINO AGRESSIVO

A sua cabeça, careca da quimioterapia, descansa numa almofada. Os ossos das maças do rosto e dos ombros vêem-se claramente sob a sua pele esticada. Os seus olhos estão abertos mas ele já não responde à mãe nem à esposa, Bobbie, que se casou com ele numa cerimónia discreta nesse quarto 3 semanas antes, depois de os médicos terem dito que não havia qualquer esperança.

Nas mãos escazeladas de Bryan, Bobbie colocou uma fotografia tirada apenas 2 meses antes. Mostra um Bryan musculado e aparentemente saudável, abraçando o seu filho de 2 anos, Bryan Jr. Nesta foto, ele tem 33 anos. Fez 34 em 10 de Maio.
Um maço de cigarros e um isqueiro repousam numa mesa perto da cama de Bryan, na sala de estar da sua mãe. Apesar de o tabaco ter provocado o cancro que se espalhou pelos seus pulmões e fígado, Bryan fumou até à semana passada, altura a partir da qual isso se tornou impossível.

Do outro lado do quarto, uma sobrinha de 20 anos de idade apaga um cigarro num cinzeiro grande, onde a beata se junta a dezenas de outras. Bobbie Curtis diz que ela vai tentar parar de fumar depois do funeral mas agora é difícil demais. O mesmo se passa com a mãe de Bryan, Louise Curtis.

"Não consigo fazer isso agora", diz ela, apesar de ter esperança de conseguir depois do funeral.
Bryan sabia como é difícil deixar de fumar, mas quando soube que ia morrer devido ao seu hábito, ele pensou que talvez conseguisse persuadir pelo menos alguns miúdos a não fumarem aquele primeiro cigarro. Talvez se eles vissem as suas maçãs do rosto recolhidas, como lhe era difícil respirar e o seu corpo enfraquecido, isso pudesse assustá-las o suficiente.
Assim, um homem cuja vida tinha sido completamente banal embarcou, nas suas últimas semanas de vida, numa missão.

* * *
Bryan começou a fumar quando tinha apenas 13 anos, fumando cada vez mais até chegar a mais de dois maços por dia. Ele falava em deixar de fumar de tempos a tempos mas nunca tentou seriamente.
Tenho muito tempo para deixar de fumar, pensou ele. As pessoas mais velhas apanham cancro; isso não acontece aos fumadores de trinta e poucos anos de idade, pessoas saudáveis e musculadas."
Ele não tinha seguro de saúde. Estava mais preocupado com a sua mãe, de 57 anos, que fumava desde os 25.

Ele dizia "Mãe, não te preocupes comigo, preocupa-te contigo. Eu sou saudável", lembra-se Louise Curtis. "A gente julga que estas coisas só acontecem mais tarde, aos 60 ou 70, não com esta idade".

Ele sabia, apenas alguns dias após ter ido para o hospital, em 2 de Abril, com dores abdominais muito fortes, que algo estava muito mal. Descobriu-se que tinha cancro do pulmão e que se tinha espalhado para o fígado. Este cancro não tinha muito tempo. Também chamado cancro de células pequenas, é um assassino agressivo que normalmente reclama as suas vítimas ao fim de poucos meses.
Apesar de os Curtis pensarem de maneira diferente, o Dr. Jeffrey Paonessa, oncologista de Bryan, disse que via cada vez mais cancro do pulmão em jovens adultos.
"Temos visto cancro do pulmão cada vez em pessoas mais jovens, porque as pessoas cada vez começam a fumar mais cedo", disse Paonessa. A quimioterapia atrasa o processo algumas vezes mas teve muito pouco efeito no caso de Bryan.
Bryan também soube, alguns dias após o terrível diagnóstico, que queria conseguir salvar nem que fosse uma criança, de qualquer forma, de ter o mesmo destino que ele. Falou com o seu filho Bryan Jr. e a sua filha de 9 anos, Amber, que já tinha sido apanhada uma vez com um cigarro. No entanto, ele queria fazer mais. De alguma maneira, a sua história tinha que ser conhecida.
Quando ainda tinha alguma força para conseguir sair de casa, os miúdos ficavam a olhar fixamente para ele.
"Eles olhavam para ele porque o seu aspecto era muito estranho", diz Louise Curtis. "Ele então virava-se para os miúdos e dizia "isto é o que acontece quando fumamos"".
"Os miúdos diziam então "não posso acreditar"", diz ainda Louise

Nenhum comentário: