RASTILHO DE PÓLVORA ESTÁ ACESO

terça-feira, 18 de março de 2008

DENGUE PREOCUPA PREFEITURA


A Secretaria Municipal de Saú­de (Semsa) do municí­pio de Itaituba realizou nos dias 22 e 23 de fevereiro um Mutirão de combate à Dengue, nos bairros Perpé­tuo Socorro, Comercial, São José e Bela Vista. 'Mais de 170 profissionais da saú­de percorreram as ruas desses bairros itaitubenses para eliminar criadouros do mosquito transmissor da dengue. Além dessa atividade, outras estão sendo desenvolvidas paralelamente para evitar uma epidemia no municí­pio. Uma equipe da Diretoria GT de Mobilização Social, do Departamento de Controle de Endemias da Sespa está na cidade para realizar uma Capacitação para Multiplicadores de Ações de Prevenção no Combate às Endemias, com enfoque na Dengue', disse a titular da pasta Horenice Cabral.
'A Semsa de Itaituba tem feito o possí­vel para controlar o avanço da doença, mas, infelizmente, está perdendo terreno, pois a maioria da população está jogando no time adversá­rio, ou seja, no time rajado de branco e preto, no time do Aedes. Jogando contra o patrimô­nio, a população está levando uma goleada. Só neste ano, até o dia 23 de fevereiro, 320 casos de dengue foram notificados no municí­pio; nú­mero que pode ser duplicado ou triplicado, levando-se em consideração as pessoas que não procuram o serviço de saú­de, portanto, não são notificadas', conta o Coordenador de Endemias, Evílson Costa.
Para ele, é incrí­vel o show de bola que o pequeno Aedes está dando na população. Dribles desconcertantes, gols de placa, jogadas ensaiadas. 'Enquanto se procura o mosquito em água parada e limpa, ele está dentro das residências, debaixo da cama, dentro ou atrás do guarda-roupa, em ambientes de menor luminosidade. Claro que isso só é possí­vel por que o time listrado está jogando no erro do adversá­rio', afirma.
O povo parece não ter percebido que para impedir o avanço do esquadrão rajado deve atacar exatamente nos locais de reprodução do vetor. 'A estraté­gia é eliminar os criadouros. O povo tem que parar de reclamar e jogar sé­rio. Nada de 'Cadê os agentes?', 'Cadê a Secretaria de Saú­de?', 'Cadê o prefeito?' Todo mundo grita, mas não se mexe. O pior é o incentivo dos técnicos, algumas mí­dias sensacionalistas, que instigam à reclamação 'Cadê o fumacê?', 'Cadê o fumacê?'. Mal sabem eles que o veneno só mata a forma alada do mosquito, por outro lado, interfere na nossa cadeia bioló­gica, causa danos à saú­de como alergias e problemas respirató­rios', alerta Carlos Paiva, Coordenador de Educação em Saú­de da Semsa - IEC.
Durante o tempo de vida, a fê­mea do Aedes aegypti põe ovos de 4 a 6 vezes, cerca de 100 ovos de cada vez, sendo que um ovo pode sobreviver até 450 dias, mesmo que o local onde foi depositado fique seco. 'O time do povo ainda não percebeu que o veneno não é a solução. Veneno, só em último caso, se não houver mais jeito. Se, porventura, o jogo caminhar para a prorrogação. Mas, mesmo assim, já sabemos que não é a solução. Não resolverá o problema. A situação é preocupante porque o time do Homo sapiens parece cansado. Muitos, já abatidos por dengue clássico, foram para a reserva, substituí­dos, outros por dengue hemorrá­gica, deixaram o campo, deixaram o está­dio, alguns nunca mais jogarão', diz o coordenador. 'É preciso refletir seriamente sobre essa partida. Usar os quinze minutos de intervalo para traçar novas estraté­gias, na realidade, executar as estraté­gias que o time já sabe que são eficazes: entrar no segundo tempo, atacando a base dos listrados. Impedir que eles se reproduzam, e isso, todos já sabem como fazer' finaliza Carlos Paiva.

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